MedEvo Simulado — Prova 2026
Paciente de 46 anos, G3P3A0, procura o serviço de pronto atendimento com queixa de sangramento vaginal intenso há 10 dias, apresentando grandes coágulos e necessidade de troca de absorventes a cada 2 horas. Relata que os episódios de sangramento tornaram-se mais frequentes e volumosos no último ano. Possui antecedentes de obesidade grau II com IMC de 36 kg/m², hipertensão arterial sistêmica e diabetes mellitus tipo 2 em uso regular de metformina. Ao exame físico, encontra-se empalidecida, hidratada, consciente e orientada. Sinais vitais revelam pressão arterial de 105 x 65 mmHg, frequência cardíaca de 102 bpm e frequência respiratória de 18 irpm. O exame especular mostra sangramento ativo de origem uterina em moderada quantidade, sem lesões vaginais ou cervicais visíveis. O toque bimanual evidencia útero de tamanho normal, móvel e indolor, sem massas anexiais. Exames laboratoriais: Hemoglobina de 8,4 g/dL, Hematócrito de 26%, Plaquetas de 210.000/mm³, Beta-hCG negativo e coagulograma dentro da normalidade. Ultrassonografia transvaginal realizada na urgência demonstrou útero de 95 cm³, endométrio hiperecogênico e irregular medindo 19 mm, e anexos sem alterações. Com base no quadro clínico, a conduta inicial mais adequada para o controle do sangramento agudo e a investigação etiológica definitiva são, respectivamente:
SUA agudo + Fatores de risco (obesidade/DM) + Endométrio >15mm → Estabilizar e Biopsiar.
O manejo do SUA agudo em pacientes estáveis envolve o controle hormonal do sangramento e a investigação obrigatória da cavidade uterina para excluir malignidade, especialmente em obesas.
O Sangramento Uterino Anormal (SUA) é uma causa frequente de procura ao pronto-socorro ginecológico. Na perimenopausa, a principal preocupação é a exclusão de processos hiperplásicos ou neoplásicos, cujos riscos são potencializados pela obesidade e diabetes (estado de hiperestrogenismo relativo). O manejo inicial foca na estabilidade hemodinâmica e na interrupção da perda sanguínea. O uso de AOCs em regime de 'ataque' é eficaz para descamação controlada ou estabilização do endométrio. Paralelamente, a avaliação da cavidade uterina é imperativa. A ultrassonografia transvaginal serve como triagem, mas o diagnóstico definitivo requer análise histopatológica, preferencialmente via biópsia por aspiração ou histeroscopia, que apresenta maior sensibilidade para lesões focais do que a curetagem tradicional.
Em pacientes hemodinamicamente estáveis, pode-se utilizar Anticoncepcionais Orais Combinados (AOC) em doses elevadas (ex: 1 comprimido de 8/8h por 2-7 dias, seguido de desmame) ou progestagênios em altas doses. O objetivo é promover a estabilização endometrial e cessação do sangramento ativo.
É indicada em mulheres acima de 45 anos com SUA, ou abaixo de 45 anos com fatores de risco para câncer de endométrio (obesidade, anovulação crônica, SOP, DM, nuliparidade) ou quando o tratamento clínico falha. O espessamento endometrial na ultrassonografia reforça a necessidade.
A curetagem uterina é um procedimento às cegas, útil para controle de emergência em sangramentos incoercíveis. A histeroscopia com biópsia dirigida é o padrão-ouro para diagnóstico, pois permite a visualização direta de lesões focais e coleta precisa de material.
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