HM São José - Hospital Municipal de São José (SC) — Prova 2021
Mulher de 35 anos de idade apresenta-se com queixa de fluxo menstrual muito aumentado, é nuligesta e pensa em engravidar em alguns anos. Não apresenta nenhuma alteração ginecológica no exame físico, nem em exames subsidiários. Foi medicada com anti-inflamatórios, mas não ficou satisfeita. Dentre as opções de tratamento, NÃO está indicado:
Ablação endometrial contraindicada em nuligestas com desejo gestacional futuro.
A ablação endometrial é um procedimento destrutivo do endométrio, que, embora eficaz para reduzir o sangramento, torna a gravidez improvável e de alto risco. Portanto, é contraindicada em mulheres com desejo gestacional futuro, especialmente nuligestas.
A menorragia, ou sangramento uterino anormal (SUA) caracterizado por fluxo menstrual excessivo, é uma queixa ginecológica comum que afeta significativamente a qualidade de vida das mulheres. Em pacientes jovens e nuligestas com desejo gestacional futuro, o manejo deve ser conservador e preservar a fertilidade. A investigação inicial deve excluir causas estruturais (pólipos, miomas, adenomiose) e coagulopatias, mas no caso apresentado, não há alterações. A fisiopatologia da menorragia sem causa estrutural aparente (anteriormente disfuncional) envolve alterações na hemostasia local do endométrio, como desequilíbrio entre fatores vasoconstritores e vasodilatadores, e alterações na angiogênese. O diagnóstico é clínico, baseado na percepção da paciente de um fluxo excessivo que interfere nas atividades diárias, e pode ser complementado por exames para excluir outras causas. O tratamento para menorragia em mulheres com desejo gestacional deve priorizar opções que preservem a fertilidade. Antifibrinolíticos (ácido tranexâmico) e contraceptivos hormonais (progestagênios orais ou SIU-LNG) são as primeiras linhas de tratamento. A ablação endometrial histeroscópica, que destrói o endométrio, é uma opção para mulheres com sangramento refratário que não desejam mais engravidar, pois torna a gravidez improvável e de alto risco. Portanto, é formalmente contraindicada em pacientes com desejo gestacional futuro, como a do caso.
As opções incluem antifibrinolíticos (como o ácido tranexâmico), contraceptivos hormonais combinados, progestagênios orais ou injetáveis, e o sistema intrauterino liberador de levonorgestrel (SIU-LNG), que é altamente eficaz.
A ablação endometrial destrói o revestimento uterino, tornando a implantação embrionária difícil e a gravidez de alto risco, com maior chance de aborto, parto prematuro, acretismo placentário e outras complicações graves.
O SIU-LNG libera levonorgestrel diretamente no útero, causando atrofia endometrial e supressão da proliferação, o que resulta em uma redução significativa do fluxo menstrual e, frequentemente, amenorreia.
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