INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2017
Uma mulher com 58 anos de idade, menopausa há 5 anos, obesa e nuligesta, sem nunca ter feito uso de terapia hormonal, comparece a consulta em Unidade Básica de Saúde queixando-se de sangramento vaginal de pequena intensidade há 4 meses. Ao exame especular observa-se: mucosa vaginal de aparência trófica e colo uterino sem lesões aparentes. Traz resultado de ultrassonografia transvaginal recente, demonstrando espessura endometrial de 10 mm e a presença de 3 miomas, sendo um intramural com 4 cm e dois subserosos com 1 e 2 cm, respectivamente. O presente quadro clínico indica a necessidade de:
Sangramento na pós-menopausa + Endométrio > 4-5mm → Investigação histopatológica obrigatória.
Qualquer sangramento vaginal na pós-menopausa deve ser investigado para excluir malignidade, especialmente se o endométrio estiver espessado ao ultrassom.
O sangramento uterino anormal na pós-menopausa é um sinal de alerta clássico para o câncer de endométrio, ocorrendo em cerca de 10% das mulheres com esse sintoma. A obesidade é um fator de risco crítico, pois o tecido adiposo converte androstenediona em estrona, gerando um estado de hiperestrogenismo crônico que estimula o endométrio. No caso apresentado, a paciente possui múltiplos fatores de risco (obesidade, nuliparidade) e um achado ultrassonográfico de 10 mm, o que é francamente anormal. Embora existam miomas, eles não justificam o sangramento nesta fase da vida, especialmente os subserosos. A conduta padrão-ouro é a avaliação histológica, preferencialmente via histeroscopia, para descartar neoplasia antes de qualquer proposta terapêutica cirúrgica definitiva.
Em pacientes com sangramento vaginal, o ponto de corte geralmente aceito é de 4 a 5 mm. Se a espessura for superior a isso, a probabilidade de patologia endometrial (hiperplasia ou câncer) aumenta significativamente, exigindo biópsia.
A histeroscopia permite a visualização direta da cavidade uterina e a realização de biópsias dirigidas de áreas suspeitas, apresentando maior sensibilidade e especificidade do que a curetagem uterina, que é um procedimento cego.
Os principais fatores incluem exposição estrogênica sem oposição da progesterona (obesidade, nuliparidade, menarca precoce, menopausa tardia), diabetes mellitus, hipertensão e síndromes genéticas como a Síndrome de Lynch.
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