Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2026
Paciente de 46 anos, com história de irregularidade menstrual há 1 ano, refere sangramento uterino intenso há 15 dias, retorna a Unidade Básica de Saúde por queixa de fadiga e tontura há 1 semana após a realização de exames laboratoriais. Ao exame físico: PA 102 × 64 mmHg, FC 110 bpm. Conjuntivas hipocoradas (++/4). Hidratada, afebril, eupneica. Ritmo cardíaco regular. Ausculta pulmonar sem alterações. Abdome com útero aumentado ao exame bimanual. Exames complementares: Hemoglobina = 8,4 g/dL. Beta-HCG negativo. USG transvaginal: miomas intramurais múltiplos. Diante do diagnóstico, qual a melhor abordagem terapêutica inicial para essa paciente?
AUA agudo + instabilidade/anemia → Estabilizar + Ácido Tranexâmico/Hormônios + Ferro.
O manejo inicial do sangramento uterino anormal agudo foca na estabilização clínica e controle do fluxo com antifibrinolíticos ou progestágenos antes de considerar cirurgia.
O Sangramento Uterino Anormal (SUA) é classificado pelo sistema PALM-COEIN, onde a leiomiomatose (L) é uma causa estrutural frequente. Em pacientes perimenopausais com sangramento volumoso e repercussão sistêmica (taquicardia, anemia), a prioridade absoluta é a estabilização hemodinâmica e o controle do sangramento agudo. O uso de antifibrinolíticos como o ácido tranexâmico reduz a perda sanguínea em até 50%, enquanto a terapia hormonal atua na estabilização endometrial. A histerectomia é uma opção definitiva, mas raramente é a primeira escolha em quadros agudos sem compensação prévia da paciente, visando reduzir a morbidade cirúrgica.
A primeira linha envolve estabilização hemodinâmica se necessário, seguida de controle medicamentoso com ácido tranexâmico ou estrogênios/progestágenos em altas doses para cessar o sangramento e evitar procedimentos invasivos imediatos em pacientes descompensadas.
A cirurgia é indicada após falha do tratamento clínico, em casos de sintomas compressivos, desejo de prole (miomectomia) ou sangramento refratário impactando significativamente a qualidade de vida da paciente.
A reposição de ferro (oral ou parenteral) deve ser iniciada assim que o diagnóstico de anemia for confirmado, visando restaurar os estoques de ferritina e níveis de hemoglobina após o controle do sangramento ativo.
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