Sangramento Uterino Anormal: Classificação e Diagnóstico

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2023

Enunciado

Mulher, 30 anos, G2P2, com queixa de sangramento uterino anormal há 5 anos. Não apresenta comorbidades e nem faz uso de medicações. Marido fez vasectomia. No prontuário está descrito como sangramento de causa endometrial. Qual alternativa contém a descrição do ciclo e do achado da ultrassonografia transvaginal (USTV) mais prováveis para este caso?

Alternativas

  1. A) Ciclo irregular com aumento de volume e USTV com espessamento endometrial difuso.
  2. B) Ciclo regular com sangramento prolongado e USTV com perda junção miométrio endométrio.
  3. C) Ciclo regular com aumento de volume e USTV sem alterações.
  4. D) Ciclo irregular com sangramento prolongado e USTV sem alterações.

Pérola Clínica

SUA de causa endometrial (COEIN) com USTV normal → investigar coagulopatias, disfunção ovulatória, causas iatrogênicas ou primárias endometriais.

Resumo-Chave

O Sangramento Uterino Anormal (SUA) é classificado pela FIGO em PALM (estruturais) e COEIN (não estruturais). Se a causa é descrita como 'endometrial' e a USTV não mostra alterações estruturais (miomas, pólipos, adenomiose), é provável que se trate de um SUA-E (endometrial) ou SUA-O (ovulatório), que podem cursar com ciclos regulares, mas com aumento de volume ou duração.

Contexto Educacional

O Sangramento Uterino Anormal (SUA) é uma queixa ginecológica comum que afeta mulheres em todas as fases da vida reprodutiva. A Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO) propôs a classificação PALM-COEIN para padronizar a etiologia do SUA, dividindo as causas em estruturais (PALM) e não estruturais (COEIN). No caso descrito, a paciente apresenta SUA há 5 anos, com causa descrita como 'endometrial'. Isso sugere uma etiologia não estrutural, especificamente SUA-E (endometrial) ou SUA-O (ovulatória). O SUA-E é caracterizado por sangramento regular, mas com volume ou duração aumentados (menorragia), na ausência de outras causas identificáveis. A ultrassonografia transvaginal (USTV) é o exame de imagem inicial e, se não houver alterações estruturais (pólipos, miomas, adenomiose), reforça a hipótese de causa não estrutural. A ausência de comorbidades e uso de medicações, além da vasectomia do parceiro (excluindo gravidez), direciona a investigação para disfunções ovulatórias ou alterações primárias da hemostasia endometrial. O manejo depende da causa específica, podendo incluir terapia hormonal, anti-inflamatórios ou, em casos refratários, procedimentos como ablação endometrial. É crucial uma investigação completa para um tratamento eficaz.

Perguntas Frequentes

O que significa a classificação PALM-COEIN para o Sangramento Uterino Anormal?

PALM refere-se a causas estruturais (Pólipo, Adenomiose, Leiomioma, Malignidade e hiperplasia), enquanto COEIN refere-se a causas não estruturais (Coagulopatia, Disfunção Ovulatória, Endometrial, Iatrogênica, Não classificadas).

Quais são as características do sangramento uterino anormal de causa endometrial (SUA-E)?

O SUA-E é um diagnóstico de exclusão, caracterizado por sangramento uterino regular e cíclico, mas com volume ou duração aumentados, na ausência de outras causas estruturais ou sistêmicas. Pode ser devido a alterações nos mecanismos locais de hemostasia endometrial.

Qual o papel da ultrassonografia transvaginal na investigação do SUA?

A USTV é o exame de primeira linha para investigar o SUA, pois permite identificar causas estruturais como pólipos, miomas e adenomiose. Se a USTV é normal, a investigação se volta para causas não estruturais (COEIN).

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