Sangramento Uterino Anormal: Diagnóstico na Perimenopausa

UFPR/HC - Complexo Hospital de Clínicas da UFPR (PR) — Prova 2022

Enunciado

Paciente de 47 anos vem ao pronto atendimento referindo sangramento vaginal iniciado há mais de 15 dias. Refere que há 6 meses apresenta irregularidade menstrual, com aumento da quantidade e duração da menstruação. Trouxe os seguintes exames: ecografia transvaginal, que mostra útero de 60 cm³, sem nodulações, endométrio regular com 10 mm de espessura, ovários sem alterações com 3,5 cm³ cada. Ao exame ginecológico: grande quantidade de sangue em vagina, colo uterino de aspecto normal. De acordo com a história clínica e o exame físico, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) A primeira hipótese diagnóstica é de gravidez ectópica rota. 
  2. B) Coagulopatias devem ser investigadas. 
  3. C) Curetagem uterina de prova deve ser indicada como primeira opção de tratamento.
  4. D) Sangramento uterino disfuncional por ciclos anovulatórios é a primeira hipótese diagnóstica. 
  5. E) Ressonância magnética pélvica deve ser solicitada para melhor avaliação de útero e ovários.

Pérola Clínica

Mulher perimenopausa com SUA e USG normal → Sangramento uterino disfuncional por anovulação.

Resumo-Chave

Em mulheres na perimenopausa, o sangramento uterino anormal (SUA) é frequentemente causado por disfunção ovulatória, resultando em ciclos anovulatórios. A ausência de alterações estruturais significativas na ultrassonografia reforça essa hipótese, tornando o sangramento uterino disfuncional a principal suspeita.

Contexto Educacional

O Sangramento Uterino Anormal (SUA) é uma queixa ginecológica comum, especialmente em mulheres na perimenopausa, e representa um desafio diagnóstico e terapêutico. Define-se como qualquer sangramento vaginal que difere do padrão menstrual normal em termos de frequência, regularidade, duração ou volume. A etiologia é vasta, abrangendo desde causas estruturais (pólipos, adenomiose, leiomiomas, malignidade e hiperplasia) até não estruturais (coagulopatias, disfunção ovulatória, endometrial, iatrogênica e não classificada), categorizadas pelo sistema PALM-COEIN. Na perimenopausa, a disfunção ovulatória é a causa mais frequente de SUA, resultando no que era classicamente conhecido como Sangramento Uterino Disfuncional. Este ocorre devido a flutuações hormonais que levam a ciclos anovulatórios, onde há uma exposição prolongada ao estrogênio sem a oposição adequada da progesterona, causando proliferação endometrial excessiva e instável, que se descama de forma irregular e prolongada. O diagnóstico é de exclusão, após afastar outras causas, especialmente malignidade, através de exames como ultrassonografia transvaginal e, se necessário, biópsia endometrial. O manejo inicial do SUA na perimenopausa foca em estabilizar a paciente e controlar o sangramento. As opções terapêuticas variam desde tratamento hormonal (progestagênios, contraceptivos orais combinados) para regular o ciclo e estabilizar o endométrio, até procedimentos cirúrgicos como ablação endometrial ou histerectomia em casos refratários ou com contraindicações clínicas. É fundamental uma abordagem individualizada, considerando a idade da paciente, desejo de fertilidade e comorbidades.

Perguntas Frequentes

Quais os principais sinais de sangramento uterino disfuncional em mulheres perimenopáusicas?

Os principais sinais incluem irregularidade menstrual, aumento da quantidade e duração do sangramento vaginal, sem evidência de patologias estruturais ou malignas no exame físico e ultrassonografia.

Por que ciclos anovulatórios são uma causa comum de sangramento uterino anormal na perimenopausa?

Na perimenopausa, as flutuações hormonais levam a ciclos anovulatórios, onde a produção de progesterona é insuficiente, resultando em proliferação endometrial desregulada e sangramento irregular e prolongado.

Qual o papel da ultrassonografia transvaginal na avaliação do sangramento uterino anormal?

A ultrassonografia transvaginal é crucial para excluir causas estruturais como miomas, pólipos, adenomiose ou alterações endometriais significativas, direcionando o diagnóstico para causas funcionais quando os achados são normais.

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