Sangramento Uterino Anormal: Diagnóstico e Manejo Urgente

SES-PB - Secretaria de Estado de Saúde da Paraíba — Prova 2024

Enunciado

Mulher, 46 anos, nuligesta, é atendida no Pronto Atendimento com queixa de sangramento transvaginal volumoso há mais de dois dias. Refere atraso menstrual de quatro meses e apresenta B-HCG Negativo realizado hoje. Ao exame físico, apresenta-se hipocorada e sudoreica, pressão arterial 90x60 mmHg e pulso 100 bpm. Iniciada hidratação venosa. Ao exame ginecológico, apresenta colo e vagina normais, grande volume de sangramento fluindo pelo orifício cervical externo e útero de volume e consistência normais. Qual a conduta mais adequada para esta paciente?

Alternativas

  1. A) Inserir sistema intrauterino liberador de levonorgestrel.
  2. B) Fazer acetato de medroxiprogesterona intramuscular.
  3. C) Realizar curetagem uterina com a biópsia endometrial.
  4. D) Iniciar estrogênio e progestagênio combinados por via oral.

Pérola Clínica

Sangramento uterino anormal em perimenopausa com instabilidade hemodinâmica e B-HCG negativo → curetagem diagnóstica/terapêutica.

Resumo-Chave

Uma mulher perimenopausa (46 anos, atraso menstrual) com sangramento uterino anormal volumoso e instabilidade hemodinâmica, após exclusão de gravidez, necessita de uma abordagem diagnóstica e terapêutica imediata. A curetagem uterina com biópsia endometrial é a conduta mais adequada, pois permite controlar o sangramento e obter material para histopatologia, descartando causas malignas como hiperplasia ou câncer de endométrio.

Contexto Educacional

O sangramento uterino anormal (SUA) é uma queixa comum na ginecologia, especialmente em mulheres na perimenopausa, como a paciente do caso. Nesta fase da vida, o SUA é frequentemente causado por disfunção ovulatória, levando a um desequilíbrio hormonal que resulta em proliferação endometrial excessiva e sangramento irregular. No entanto, é crucial descartar causas orgânicas, incluindo condições pré-malignas e malignas, como hiperplasia endometrial e câncer de endométrio, cuja incidência aumenta com a idade. A apresentação de sangramento transvaginal volumoso, associado a sinais de instabilidade hemodinâmica (hipocorada, sudoreica, PA 90x60, P 100), exige uma intervenção imediata. Após a exclusão de gravidez (B-HCG negativo), a prioridade é controlar o sangramento e estabelecer um diagnóstico. Embora o útero seja de volume e consistência normais, isso não exclui patologias endometriais. A curetagem uterina com biópsia endometrial é a conduta mais adequada neste cenário. Ela serve tanto como medida terapêutica para interromper o sangramento agudo quanto como procedimento diagnóstico para obter tecido endometrial para análise histopatológica. Isso permite identificar ou excluir condições como hiperplasia endometrial (simples, complexa, com ou sem atipias) ou carcinoma endometrial, que são preocupações significativas em mulheres perimenopausadas com SUA. Outras opções como SIU-LNG ou tratamento hormonal oral seriam consideradas após um diagnóstico preciso e estabilização do quadro.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais causas de sangramento uterino anormal na perimenopausa?

As principais causas incluem disfunção ovulatória (anovulação), pólipos endometriais, miomas uterinos, hiperplasia endometrial e câncer de endométrio. A exclusão de gravidez é sempre o primeiro passo.

Por que a curetagem uterina é a conduta mais adequada neste caso?

A curetagem uterina é a conduta mais adequada porque, além de ser terapêutica para controlar o sangramento volumoso, permite a obtenção de material endometrial para biópsia, essencial para o diagnóstico histopatológico e exclusão de hiperplasia ou câncer de endométrio, especialmente em uma paciente perimenopausa.

Quando se deve suspeitar de malignidade endometrial em sangramento uterino anormal?

Deve-se suspeitar de malignidade endometrial em mulheres perimenopausadas ou pós-menopausadas com sangramento uterino anormal, especialmente na presença de fatores de risco como obesidade, diabetes, hipertensão, nuliparidade e uso de tamoxifeno.

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