UFRN/HUOL - Hospital Universitário Onofre Lopes - Natal (RN) — Prova 2023
Adolescente, 12 anos, foi à consulta médica por estar menstruando a cada 40 a 50 dias, com fluxo de duração de 9 dias. Nos primeiros dias, elimina coágulos e necessita de 9 absorventes por dia. Antecedente pessoal: teve a menarca há 15 meses e nega atividade sexual. Exame físico: está descorada 2+/4+, com hímen íntegro, com saída de coágulos ao esforço (tosse). O provável diagnóstico dessa adolescente é
Adolescente com menarca recente e sangramento uterino anormal (menorragia/metrorragia) → suspeitar de imaturidade do eixo HHO e ciclos anovulatórios.
Em adolescentes com menarca recente, o sangramento uterino anormal é frequentemente causado pela imaturidade do eixo hipotálamo-hipófise-ovário (HHO), resultando em ciclos anovulatórios. Isso leva a uma produção estrogênica sem oposição progestagênica, causando proliferação endometrial excessiva e sangramento irregular e intenso.
O sangramento uterino anormal (SUA) na adolescência é uma queixa comum e, na maioria dos casos, está relacionado à imaturidade do eixo hipotálamo-hipófise-ovário (HHO). Nos primeiros anos após a menarca, os ciclos menstruais são frequentemente anovulatórios, o que significa que não ocorre ovulação regular. Sem a ovulação, o corpo não produz progesterona suficiente para estabilizar o endométrio. A ausência de progesterona permite que o estrogênio estimule o crescimento endometrial de forma contínua e desordenada. Quando o endométrio prolifera excessivamente e não é adequadamente sustentado, ele se torna instável e descama de forma irregular, resultando em sangramentos prolongados, intensos e imprevisíveis, característicos do sangramento uterino disfuncional. A paciente do caso, com menarca há 15 meses e sangramento profuso e prolongado, se encaixa perfeitamente nesse quadro. É fundamental diferenciar o sangramento uterino disfuncional de outras causas, como coagulopatias (ex: Doença de Von Willebrand), infecções, distúrbios da tireoide ou, mais raramente, pólipos. A avaliação inicial deve incluir hemograma completo para verificar anemia (presente na paciente), testes de coagulação e, se necessário, ultrassonografia pélvica. O tratamento geralmente envolve terapia hormonal para regular o ciclo e controlar o sangramento, além de suplementação de ferro para corrigir a anemia.
Caracteriza-se por sangramentos irregulares em frequência, duração ou volume, frequentemente com menorragia ou metrorragia, devido a ciclos anovulatórios e imaturidade do eixo hipotálamo-hipófise-ovário.
A imaturidade do eixo HHO resulta em anovulação, onde há produção de estrogênio sem a ovulação e subsequente produção de progesterona. Isso leva a uma proliferação endometrial contínua e instável, que descama de forma irregular e prolongada.
Deve-se investigar coagulopatias (como Doença de Von Willebrand) ou outras causas estruturais/sistêmicas se o sangramento for excessivamente grave, persistente, refratário ao tratamento hormonal ou se houver história familiar/pessoal de distúrbios de coagulação.
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