Sangramento Uterino Anormal: Diagnóstico e Manejo Inicial

SMS Florianópolis - Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis (SC) — Prova 2021

Enunciado

Layla, 24 anos, nulípara, sem uso de contraceptivo hormonal neste momento, ciclos menstruais regulares de 28 dias e DUM há cerca de 18 dias, comparece ao seu centro de saúde muito preocupada porque há cerca de 5 dias iniciou sangramento vaginal que persiste desde então. Sem dor abdominal. Ao exame físico está hidratada, corada, eupneica, frequência cardíaca 69 bpm, pressão arterial: 120 x 74. Ao especular: colo do útero visualizado com ectrópio discreto, apresentando pequena quantidade de sangue vermelho vivo saindo do ostio do colo do útero, sem corrimento. Sem dor ao toque vaginal, sem dor a palpação de anexos. A hipótese mais provável e uma conduta farmacológica inicial adequada seriam:

Alternativas

  1. A) Sangramento uterino anormal, iniciar anti-inflamatório não esteroidal como Ibuprofeno 600mg a cada 8 horas por até 5 dias e reavaliar se manutenção do sangramento ou se sinais e sintomas de alarme.
  2. B) Cervicite, deve se iniciar antibioticoterapia com azitromicina 1 grama dose única e ceftriaxone 250 mg Intramuscular e tratar parceria sexual.
  3. C) Carcinoma de colo uterino, deve se coletar citopatológico e prescrever desbridante enzimático intravaginal, uma aplicação noturna diária por 7 a 12 dias.
  4. D) Abortamento em curso, encaminhar para ultrassonografia transvaginal imediata avaliando necessidade de curetagem e aplicação de medroxiprogesterona 150 mg intramuscular.

Pérola Clínica

Sangramento uterino anormal em jovem sem dor/corrimento → excluir gravidez, considerar disfuncional; AINEs são 1ª linha.

Resumo-Chave

Em uma paciente jovem, nulípara, com ciclos regulares e sangramento intermenstrual sem dor ou sinais de infecção, a hipótese de sangramento uterino anormal (disfuncional) é comum. AINEs como o Ibuprofeno são uma conduta inicial eficaz para reduzir o fluxo e a duração do sangramento, agindo na inibição da síntese de prostaglandinas.

Contexto Educacional

O sangramento uterino anormal (SUA) é uma queixa ginecológica comum que pode ter diversas etiologias, desde causas benignas e funcionais até condições mais graves. Em mulheres jovens e nulíparas, com ciclos previamente regulares, o sangramento intermenstrual sem dor ou outros sintomas alarmantes frequentemente aponta para uma disfunção ovulatória ou uma causa estrutural benigna, como um ectrópio cervical, que é uma eversão do epitélio glandular endocervical. A abordagem diagnóstica inicial deve sempre excluir gravidez e infecções. No caso apresentado, a paciente está hemodinamicamente estável e sem sinais de infecção ou dor abdominal, o que torna a hipótese de sangramento uterino disfuncional (SUA-D) bastante provável. O ectrópio, embora possa sangrar, geralmente não causa sangramento tão prolongado. O tratamento farmacológico inicial para o SUA-D, especialmente quando não há desejo de contracepção hormonal, frequentemente inclui anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) como o Ibuprofeno. Eles atuam inibindo a ciclo-oxigenase, reduzindo a produção de prostaglandinas no endométrio, o que diminui o fluxo e a duração do sangramento. A reavaliação é crucial para monitorar a resposta e investigar outras causas se o sangramento persistir ou se surgirem novos sintomas.

Perguntas Frequentes

Quais as causas mais comuns de sangramento uterino anormal em mulheres jovens?

Em mulheres jovens, as causas mais comuns incluem disfunções ovulatórias (sangramento uterino disfuncional), uso de contraceptivos, infecções cervicais e, menos frequentemente, distúrbios de coagulação ou pólipos.

Qual o papel dos AINEs no tratamento do sangramento uterino anormal?

Os AINEs (anti-inflamatórios não esteroidais) atuam inibindo a síntese de prostaglandinas no endométrio, que estão envolvidas na vasodilatação e na hemostasia, reduzindo o fluxo e a duração do sangramento.

Quando devo me preocupar com um sangramento vaginal e buscar investigação mais aprofundada?

Sinais de alarme incluem sangramento intenso com sinais de instabilidade hemodinâmica, dor abdominal intensa, febre, corrimento fétido, sangramento pós-coito persistente ou sangramento em pós-menopausa.

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