UniEVANGÉLICA - Universidade Evangélica de Goiás — Prova 2022
No pronto socorro de uma maternidade, o médico atende uma mulher de 45 anos com queixa de sangramento vaginal aumentado há 20 dias. Durante a anamnese, ele percebe que ela possui esses sangramentos há 6 meses, mesmo tendo ciclos regulares. Exame especular: colo epitelizado, sem lesões e fechado, presença de coágulos em fundo de saco. Sinais vitais: PA de 120/80mmHg, pulsos cheios, frequência cardíaca de 55bpm. Refere já ter feito laqueadura tubária. Qual o próximo passo para esse caso?
Mulher > 40 anos com SUA (mesmo pós-laqueadura) → investigar cavidade endometrial (histeroscopia/biópsia) para excluir malignidade.
Sangramento uterino anormal em mulheres acima de 40 anos, especialmente na perimenopausa, requer investigação aprofundada da cavidade endometrial para excluir patologias como pólipos, hiperplasia endometrial ou câncer de endométrio. A histeroscopia com biópsia dirigida é o padrão-ouro para essa avaliação, superando a ultrassonografia na detecção de lesões intracavitárias.
O sangramento uterino anormal (SUA) é uma queixa comum em mulheres, especialmente na perimenopausa, e representa um desafio diagnóstico. É definido como qualquer sangramento vaginal que difere em frequência, regularidade, duração ou volume do padrão menstrual normal. Em mulheres com mais de 40 anos, mesmo com ciclos regulares prévios ou após laqueadura tubária, a ocorrência de SUA exige uma investigação minuciosa devido ao risco aumentado de patologias endometriais, incluindo condições pré-malignas e malignas. A investigação do SUA deve seguir uma abordagem sistemática. Embora a ultrassonografia transvaginal seja um exame inicial útil para avaliar o útero e ovários, ela pode não ser suficiente para detectar lesões intracavitárias pequenas ou para caracterizar adequadamente o endométrio. A presença de coágulos em fundo de saco, como descrito no caso, sugere um sangramento de origem uterina. A fisiopatologia pode envolver desequilíbrios hormonais, mas a exclusão de causas estruturais é primordial. Nesse contexto, a histeroscopia diagnóstica com biópsia dirigida da cavidade endometrial é considerada o padrão-ouro para a investigação do SUA em mulheres na perimenopausa ou pós-menopausa. Ela permite a visualização direta de pólipos, miomas submucosos, hiperplasia endometrial e lesões suspeitas de câncer, possibilitando a coleta de material para análise histopatológica e um diagnóstico preciso. A colposcopia avalia o colo uterino e não a cavidade endometrial, e a histerossalpingografia é mais utilizada para infertilidade.
As causas podem ser estruturais (pólipos endometriais, miomas submucosos, adenomiose, hiperplasia endometrial, câncer de endométrio) ou não estruturais (disfunção ovulatória, coagulopatias, iatrogênicas), sendo a exclusão de malignidade a prioridade.
A histeroscopia permite a visualização direta da cavidade endometrial e a realização de biópsias dirigidas de lesões suspeitas, oferecendo maior sensibilidade e especificidade para detectar pólipos, miomas submucosos, hiperplasia e câncer de endométrio em comparação com a ultrassonografia.
A idade é um fator crucial; em mulheres acima de 40 anos ou na perimenopausa, o risco de hiperplasia endometrial e câncer de endométrio aumenta significativamente, tornando a investigação da cavidade endometrial com biópsia uma prioridade para excluir malignidade.
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