Sangramento no 1º Trimestre: Diagnóstico e Conduta

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2021

Enunciado

No que se refere às causas de sangramento de primeiro trimestre da gestação, assinale a opção correta.

Alternativas

  1. A) Uma paciente, no 1.º trimestre de gestação, com uma falha de implantação da placenta ainda em formação, apresenta o chamado descolamento prematuro de placenta, que se inclui entre as principais causas de sangramento nessa fase da gestação.
  2. B) Nessa fase da gestação, BHCG com resultado de valor de 1.000 mUI/mL e ausência de saco gestacional intraútero à ecografia seriam insuficientes para o diagnóstico de gestação ectópica, causa comum de sangramento no primeiro trimestre de gestação.
  3. C) Sangramento vermelho vivo significa ameaça de abortamento, ainda que o exame revele colo do útero fechado.
  4. D) Em caso de quadro de abortamento em curso com dor e grande volume de sangue vaginal, deve-se adotar uma conduta expectante, já que as taxas de sucesso de tal conduta podem chegar a mais de 95% em duas semanas.

Pérola Clínica

BHCG < 1500-2000 mUI/mL + ausência de saco gestacional intraútero ≠ gestação ectópica definitiva. Necessita reavaliação.

Resumo-Chave

Níveis de BHCG abaixo do limiar de visualização ultrassonográfica (geralmente 1500-2000 mUI/mL) com ausência de saco gestacional intraútero são inconclusivos para gestação ectópica. É preciso repetir o BHCG e a ultrassonografia para confirmar o diagnóstico, pois pode ser uma gestação intrauterina muito inicial ou um abortamento completo.

Contexto Educacional

O sangramento no primeiro trimestre da gestação é uma queixa comum e sempre gera preocupação, exigindo uma investigação cuidadosa para determinar a causa e a viabilidade da gestação. As principais etiologias incluem ameaça de abortamento, abortamento em curso (incompleto ou inevitável), abortamento completo, gestação ectópica e doença trofoblástica gestacional. É fundamental diferenciar essas condições para instituir o manejo adequado e evitar complicações graves, como o choque hipovolêmico em gestações ectópicas rotas. O diagnóstico envolve a combinação de exame físico, dosagem seriada de beta-HCG e ultrassonografia transvaginal. A 'zona discriminatória' do beta-HCG (geralmente 1500-2000 mUI/mL) é um marco importante: abaixo desse valor, a ausência de saco gestacional intraútero não exclui uma gestação intrauterina muito precoce. Portanto, um BHCG de 1000 mUI/mL com ausência de saco gestacional é inconclusivo e requer reavaliação com nova dosagem de BHCG em 48h e ultrassonografia. O descolamento prematuro de placenta é uma condição do segundo e terceiro trimestres, não do primeiro. A conduta expectante em abortamentos em curso com dor e grande volume de sangue não é apropriada; nesses casos, a intervenção (esvaziamento uterino) é geralmente necessária para evitar hemorragia e infecção. A ameaça de abortamento, caracterizada por sangramento vaginal com colo fechado e vitalidade fetal presente, geralmente requer repouso e observação.

Perguntas Frequentes

Qual o valor de BHCG que permite visualizar o saco gestacional intraútero?

Geralmente, o saco gestacional intraútero pode ser visualizado por ultrassonografia transvaginal quando os níveis de BHCG atingem entre 1500 e 2000 mUI/mL (zona discriminatória). Valores abaixo disso podem não mostrar o saco mesmo em gestações intrauterinas viáveis.

Quais são as principais causas de sangramento no primeiro trimestre da gestação?

As causas mais comuns incluem ameaça de abortamento, abortamento em curso ou completo, gestação ectópica e doença trofoblástica gestacional. Sangramentos de implantação também podem ocorrer.

Quando a conduta expectante é apropriada em casos de abortamento?

A conduta expectante pode ser considerada em abortamentos incompletos ou retidos, desde que a paciente esteja hemodinamicamente estável, sem sinais de infecção e com sangramento leve a moderado. As taxas de sucesso variam, mas podem ser altas em casos selecionados.

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