HSM - Hospital Santa Marta (DF) — Prova 2021
Uma paciente de 16 anos de idade, com sangramento de início há três horas após relação sexual, foi encaminhada ao pronto-socorro, com data de última menstruação há 56 dias, referindo cólica e sangramento vermelho vivo. Ao exame físico, encontra-se em BEG, descorada +/4+, hidratada, acianótica, afebril, anictérica, com TAX = 36 °C, RCR a 2T, SSFM 2+/6+, BNF, PA = 80 mmHg x 60 mmHg, FC = 110 bpm, murmúrios vesiculares presentes bilateralmente, sem ruídos adventícios e abdome doloroso à palpação em baixo ventre, defesa presente e descompressão brusca presente à direita. Ao exame especular, verificam-se colo com volume normal, superfície regular, sangramento escurecido em fundo de saco posterior, toque de colo doloroso à mobilização, útero de tamanho habitual e massa palpável em topografia anexial direita.No que se refere ao caso clínico descrito, assinale a alternativa correta.
Sangramento pós-coito na 1ª metade gestação → sinal de ameaça de abortamento, não aumenta risco de abortamento.
O sangramento vaginal na primeira metade da gestação é um sintoma comum que pode indicar diversas condições, desde ameaça de abortamento até gravidez ectópica. A presença de sangramento pós-coito, embora preocupante, é um sinal de ameaça de abortamento e não implica necessariamente um aumento do risco de perda gestacional.
O sangramento na primeira metade da gravidez é uma queixa comum, afetando cerca de 20-30% das gestações, e é uma das principais causas de procura por atendimento de emergência ginecológica. Sua importância clínica reside na necessidade de diferenciar condições benignas, como a ameaça de abortamento, de emergências potencialmente fatais, como a gravidez ectópica rota, que pode levar a choque hipovolêmico e óbito materno se não tratada prontamente. A fisiopatologia do sangramento pode variar: na ameaça de abortamento, geralmente há um descolamento parcial do córion; na gravidez ectópica, a implantação fora do útero leva à erosão vascular e sangramento. O diagnóstico diferencial é crucial e envolve anamnese detalhada, exame físico (incluindo especular e toque vaginal), ultrassonografia transvaginal e dosagem de beta-hCG. Sinais de instabilidade hemodinâmica, dor intensa e massa anexial sugerem gravidez ectópica rota. O tratamento depende da causa. Na ameaça de abortamento, o manejo é conservador com repouso e observação. Na gravidez ectópica, pode ser clínico (metotrexato) ou cirúrgico (laparoscopia ou laparotomia), dependendo da estabilidade da paciente e tamanho da lesão. É fundamental que residentes compreendam a urgência e a abordagem sistemática para garantir o melhor desfecho materno-fetal.
Sinais de alerta incluem dor abdominal intensa, hipotensão, taquicardia, descoramento, massa anexial palpável e sinais de irritação peritoneal (defesa, descompressão brusca), indicando choque hipovolêmico.
A conduta inicial é estabilização hemodinâmica com acesso venoso calibroso, fluidos intravenosos e avaliação rápida para identificar a causa do sangramento, priorizando condições de risco de vida como gravidez ectópica rota.
Ameaça de abortamento geralmente apresenta sangramento vaginal leve a moderado, colo fechado e batimentos cardíacos fetais presentes. Gravidez ectópica pode ter dor unilateral e massa anexial, enquanto abortamento em curso ou completo tem colo aberto e/ou eliminação de produtos gestacionais.
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