Sangramento Pós-Menopausa: Alerta para Câncer de Endométrio

Hospital Unimed-Rio (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Mulher, 54 anos de idade, menopausada há 5 anos, encaminhada para consulta ambulatorial por sangramento intermitente em pequena quantidade há 4 meses. Hipertensa, diabética, IMC = 31kg/m² e dislipidêmica, trouxe ultrassonografia evidenciando espessura endometrial de 4mm, útero de 90cc de volume, ovários não visualizados. Ausência de líquido livre na pelve. Qual é o fator indicativo para câncer de endométrio presente no caso?

Alternativas

  1. A) Idade maior que 50 anos.
  2. B) Útero de volume aumentado.
  3. C) Sangramento pós-menopausa.
  4. D) Ovários não visualizados na ultrassonografia.

Pérola Clínica

Sangramento pós-menopausa = SEMPRE investigar câncer de endométrio.

Resumo-Chave

Qualquer episódio de sangramento vaginal após a menopausa é um sinal de alerta e deve ser prontamente investigado para excluir patologias malignas, principalmente o câncer de endométrio. Mesmo pequenos sangramentos ou 'spotting' exigem avaliação, independentemente da espessura endometrial inicial na ultrassonografia.

Contexto Educacional

O sangramento pós-menopausa (SPM) é definido como qualquer sangramento vaginal que ocorre 12 meses ou mais após a última menstruação. É um sintoma que nunca deve ser ignorado, pois, embora a maioria dos casos seja benigna (atrofia vaginal, pólipos), cerca de 10% a 15% das mulheres com SPM terão câncer de endométrio. A avaliação rápida e precisa é crucial para um diagnóstico precoce e melhor prognóstico. A fisiopatologia do câncer de endométrio está frequentemente ligada à exposição prolongada e desbalanceada ao estrogênio sem oposição da progesterona, levando à hiperplasia endometrial e, posteriormente, à malignidade. Fatores de risco como obesidade, diabetes, hipertensão e uso de tamoxifeno aumentam essa exposição. A investigação inicial do SPM inclui anamnese detalhada, exame físico e ultrassonografia transvaginal para avaliar a espessura endometrial. Se a espessura endometrial for ≥ 4-5 mm ou se houver sangramento persistente apesar da espessura normal, a biópsia endometrial (por curetagem, histeroscopia ou biópsia de pipelle) é o próximo passo diagnóstico. O tratamento do câncer de endométrio é primariamente cirúrgico, com histerectomia total e salpingo-ooforectomia bilateral, podendo ser complementado com radioterapia ou quimioterapia dependendo do estadiamento.

Perguntas Frequentes

Qual a conduta inicial diante de um sangramento pós-menopausa?

A conduta inicial é sempre investigar a causa, sendo a ultrassonografia transvaginal o primeiro exame para avaliar a espessura endometrial. Se a espessura for > 4-5 mm ou houver fatores de risco, a biópsia endometrial é indicada.

Quais são os principais fatores de risco para câncer de endométrio?

Os principais fatores de risco incluem obesidade, diabetes mellitus, hipertensão arterial, uso de tamoxifeno, nuliparidade, menarca precoce, menopausa tardia e síndrome dos ovários policísticos, todos associados a um estado de hiperestrogenismo.

Qual a relevância da espessura endometrial na avaliação do sangramento pós-menopausa?

Uma espessura endometrial > 4-5 mm em mulheres pós-menopausa com sangramento é um indicativo para prosseguir com a investigação, geralmente por histeroscopia com biópsia. No entanto, mesmo com espessura normal, a persistência do sangramento pode exigir biópsia.

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