Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2024
Paciente de 55 anos em uso de terapia hormonal há 5 meses vem em consulta por ter menstruado após 6 anos de menopausa. Sangrou volume moderado por 4 dias e agora sangramento reduziu muito. Nega cirurgias prévias. Medicações em uso: estradiol transdérmico 1 pump ao dia, Rosuvastatina e polivitaminico. À ultrassonografia, apresenta espessura endometrial de 12 mm. Diante da situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta a melhor conduta.
Sangramento pós-menopausa em TH estrogênica sem progesterona + endométrio espessado → biópsia endometrial.
Sangramento uterino em mulheres pós-menopausa, especialmente em uso de terapia hormonal apenas com estrogênio, é um sinal de alerta para patologia endometrial, incluindo câncer. A espessura endometrial de 12 mm é significativamente alta para uma mulher pós-menopausa, justificando investigação histológica.
O sangramento pós-menopausa é um sintoma que nunca deve ser ignorado, pois pode ser o primeiro sinal de patologia endometrial grave, incluindo o carcinoma de endométrio. A prevalência de câncer endometrial em mulheres com sangramento pós-menopausa varia de 5% a 10%, tornando a investigação diagnóstica uma prioridade. A terapia hormonal (TH) estrogênica, quando utilizada em mulheres com útero intacto, exige a adição de progesterona para antagonizar os efeitos proliferativos do estrogênio no endométrio. A fisiopatologia do sangramento neste caso reside na estimulação estrogênica desprotegida do endométrio, levando à proliferação excessiva (hiperplasia) e, potencialmente, à atipia e malignidade. A ultrassonografia transvaginal é o método de triagem inicial, e uma espessura endometrial de 12 mm em uma mulher pós-menopausa é altamente suspeita, exigindo avaliação histológica. A biópsia endometrial, seja por histeroscopia com biópsia dirigida ou por curetagem uterina, é o padrão-ouro para o diagnóstico definitivo. O tratamento e manejo dependem do resultado histológico. Se houver hiperplasia, o tratamento pode variar de progesterona cíclica a histerectomia, dependendo da presença de atipias. Em caso de carcinoma, a histerectomia radical é a conduta padrão. É crucial que residentes compreendam a importância da proteção endometrial na TH e a necessidade de investigação rigorosa de qualquer sangramento pós-menopausa para garantir a segurança da paciente.
Sangramento pós-menopausa, mesmo em TH, deve ser investigado. A espessura endometrial > 4-5 mm em USG transvaginal ou qualquer sangramento em TH estrogênica sem progesterona são indicativos de biópsia.
A progesterona é fundamental para proteger o endométrio da proliferação excessiva induzida pelo estrogênio, prevenindo hiperplasia e câncer endometrial em mulheres com útero intacto.
Os diagnósticos diferenciais incluem atrofia endometrial, pólipos endometriais, hiperplasia endometrial (simples, complexa, com ou sem atipias) e carcinoma endometrial.
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