Sangramento Pós-Menopausa: Investigação e Conduta Inicial

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2025

Enunciado

Mulher de 54 anos procura a unidade de pronto atendimento (UPA) com queixa de dor pélvica e de sangramento vaginal ativo, há 2 dias. Relata preocupação, pois não menstruava há 4 anos. Relata que a menopausa ocorreu aos 50 anos e que tem diabetes mellitus tipo 2, tratada com metformina desde os 41 anos. É sedentária, não fuma e nunca ingeriu bebidas alcoólicas. Apresentou os exames de mamografia e citologia de colo uterino, realizados há 4 meses, que mostraram BIRADS 2 bilateral na mamografia e citologia dentro dos limites da normalidade. Ao exame físico, a paciente encontra-se em bom estado geral, orientada, corada, com pressão arterial de 120 x 70 mmHg, frequência cardíaca de 69 bpm e índice de massa corporal (IMC) de 32,3 kg/m². O exame especular revela pequeno sangramento vermelho vivo, saindo pelo orifício cervical externo, com colo do útero atrófico e sem lesões visíveis. O hemograma realizado na UPA revela os seguintes resultados: Considerando o caso descrito, a conduta adequada é

Alternativas

  1. A) solicitar ultrassonografia transvaginal e orientar o retorno à unidade básica de saúde.
  2. B) solicitar ressonância magnética de pelve e orientar que a paciente procure um ginecologista.
  3. C) solicitar histeroscopia cirúrgica e orientar a paciente que procure uma unidade básica para ser referenciada.
  4. D) encaminhar a paciente para hospital, com urgência, para realizar curetagem uterina para controle e avaliação do sangramento.

Pérola Clínica

Sangramento pós-menopausa → Sempre investigar câncer de endométrio. Iniciar com USG transvaginal.

Resumo-Chave

Qualquer sangramento vaginal após a menopausa é um sinal de alerta e deve ser investigado para excluir malignidade, principalmente câncer de endométrio. A ultrassonografia transvaginal é o exame inicial de escolha para avaliar o espessamento endometrial.

Contexto Educacional

O sangramento vaginal pós-menopausa é um sintoma que nunca deve ser ignorado, pois é o principal sinal de alerta para o câncer de endométrio. Embora muitas vezes seja causado por condições benignas como atrofia vaginal, a exclusão de malignidade é prioritária. A incidência de câncer de endométrio aumenta com a idade, e fatores de risco como obesidade e diabetes mellitus tipo 2, presentes na paciente do caso, elevam ainda mais essa suspeita. A investigação inicial deve ser realizada com a ultrassonografia transvaginal para avaliar a espessura do endométrio. Um endométrio fino (geralmente < 4-5 mm) tem um alto valor preditivo negativo para câncer de endométrio. No entanto, se o endométrio estiver espessado ou se houver sangramento persistente, mesmo com endométrio fino, a paciente deve ser encaminhada para avaliação ginecológica especializada para considerar histeroscopia com biópsia endometrial, que é o padrão-ouro para o diagnóstico. É fundamental que o médico da atenção primária esteja apto a iniciar essa investigação e a referenciar a paciente adequadamente. A conduta não urgente, mas prioritária, visa um diagnóstico precoce e um melhor prognóstico para a paciente, evitando procedimentos invasivos desnecessários na urgência, mas garantindo a investigação completa.

Perguntas Frequentes

Qual a principal preocupação ao investigar sangramento pós-menopausa?

A principal preocupação é excluir o câncer de endométrio, que é a malignidade ginecológica mais comum em mulheres pós-menopausa. Outras causas incluem atrofia vaginal, pólipos endometriais ou cervicais e hiperplasia endometrial.

Qual o papel da ultrassonografia transvaginal na investigação do sangramento pós-menopausa?

A ultrassonografia transvaginal é o exame de primeira linha para avaliar o espessamento endometrial. Um endométrio com espessura menor que 4-5 mm geralmente exclui malignidade, enquanto um espessamento maior requer investigação adicional, como histeroscopia com biópsia.

Quais são os fatores de risco para câncer de endométrio?

Fatores de risco incluem obesidade, diabetes mellitus tipo 2, hipertensão, uso de tamoxifeno, nuliparidade, menopausa tardia, terapia de reposição hormonal com estrogênio sem progesterona e história familiar de câncer colorretal não polipose hereditário (Síndrome de Lynch).

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