Sangramento Pós-Menopausa: Investigação e Conduta

Santa Casa de Votuporanga (SP) — Prova 2020

Enunciado

Paciente de 58 anos, apresenta queixa de sangramento vaginal irregular, com intervalos de menos de 20 dias nos últimos 4 meses. Na sua última avaliação ginecológica o médico disse que já estava na menopausa, por não apresentar menstruações há aproximadamente 7 anos. Queixa de fogachos e labilidade emocional. Realizou cirurgia devido miomatose uterina aos 38 anos e cauterização de colo uterino por alteração anterior em sua citologia oncótica de Papanicolau. Teve três gestações, todas com cesáreas, realizando laqueadura tubária após o último nascimento, há 25 anos. No exame ginecológico, detectou-se a presença de útero aumentado, irregular, com mobilidade normal, e ovários não palpáveis. Assinale a alternativa que apresenta a conduta MAIS INDICADA no momento dessa consulta médica.

Alternativas

  1. A) Inserir endoceptivo uterino, para cessar o sangramento.
  2. B) Realizar nova miomectomia, provável causa desse sangramento.
  3. C) Realizar biópsia endometrial para complementação da propedêutica.
  4. D) Prescrever terapia hormonal, para conter sangramento e sintomas vasomotores.

Pérola Clínica

Sangramento pós-menopausa = SEMPRE investigar CA endométrio → Biópsia endometrial.

Resumo-Chave

Qualquer sangramento vaginal após a menopausa (definida como 12 meses de amenorreia) deve ser investigado rigorosamente para excluir malignidade, principalmente câncer de endométrio. A biópsia endometrial é a conduta mais indicada para elucidação diagnóstica.

Contexto Educacional

O sangramento vaginal pós-menopausa é um sintoma que exige investigação imediata e rigorosa, pois, embora possa ter causas benignas como atrofia vaginal ou pólipos, a principal preocupação é o câncer de endométrio. A menopausa é definida como 12 meses consecutivos de amenorreia. Qualquer sangramento que ocorra após esse período é considerado anormal e potencialmente grave. A paciente do caso, com 58 anos e menopausada há 7 anos, apresenta sangramento irregular, o que é um sinal de alerta. Fatores de risco para câncer de endométrio incluem obesidade, nuliparidade, uso de tamoxifeno e diabetes, embora não explicitados no caso, a idade e o sangramento já são suficientes para a suspeita. A presença de útero aumentado e irregular pode ser devido a miomas, mas não exclui patologia endometrial. A conduta mais indicada é a biópsia endometrial, que permite a análise histopatológica do tecido e o diagnóstico definitivo de hiperplasia endometrial (com ou sem atipias) ou câncer. Outras opções como inserção de endoceptivo ou nova miomectomia seriam inadequadas antes de excluir malignidade. A terapia hormonal é contraindicada na presença de sangramento sem diagnóstico, pois pode mascarar ou agravar a condição.

Perguntas Frequentes

Qual a principal preocupação diagnóstica em caso de sangramento pós-menopausa?

A principal preocupação é o câncer de endométrio, que deve ser descartado em todos os casos de sangramento vaginal após 12 meses de amenorreia na menopausa.

Qual a conduta inicial mais indicada para investigar sangramento pós-menopausa?

A conduta inicial mais indicada é a realização de biópsia endometrial, que pode ser feita por curetagem uterina ou histeroscopia com biópsia dirigida, para análise histopatológica do endométrio.

Quais outros exames podem auxiliar na propedêutica do sangramento pós-menopausa?

Além da biópsia, a ultrassonografia transvaginal para avaliar a espessura endometrial é um exame complementar importante. Espessura > 4-5 mm em mulheres pós-menopausa aumenta a suspeita de patologia endometrial.

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