SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2020
Mulher, 55 anos, menopausa aos 50, vem ao ambulatório com queixa de sangramento genital em pequena quantidade, por dois dias, há uma semana. Nega terapia de reposição hormonal e traz ultrassom transvaginal que mostra útero medindo 100cm³, endométrio de 3mm e ovários não identificados. Diante desse caso clínico, qual a conduta mais adequada a seguir?
Sangramento pós-menopausa (SPM) → SEMPRE investigar. Iniciar com exame especular/toque para excluir causas benignas de colo/vagina.
O sangramento pós-menopausa é um sinal de alerta que exige investigação completa para excluir malignidade, principalmente câncer de endométrio. No entanto, a primeira etapa da investigação deve ser o exame físico detalhado (especular e toque vaginal) para identificar causas mais comuns e benignas como atrofia vaginal, pólipos cervicais ou lesões traumáticas, antes de procedimentos invasivos.
O sangramento pós-menopausa (SPM) é definido como qualquer sangramento vaginal que ocorre 12 meses ou mais após a última menstruação. É um sintoma que sempre deve ser investigado, pois, embora a maioria das causas seja benigna (como atrofia vaginal ou endometrial), o SPM pode ser o primeiro sinal de câncer de endométrio, que é o câncer ginecológico mais comum em mulheres pós-menopausa. A abordagem diagnóstica do SPM deve ser sistemática. O primeiro passo, e muitas vezes negligenciado, é um exame físico completo, incluindo exame especular e toque vaginal. Este permite identificar e descartar causas de sangramento que se originam do trato genital inferior, como atrofia vaginal, pólipos cervicais, lesões traumáticas, cervicite ou câncer de colo uterino. A atrofia vaginal é a causa mais comum de SPM, e pode ser diagnosticada e tratada clinicamente. Após o exame físico, a investigação prossegue com a ultrassonografia transvaginal para avaliar a espessura endometrial. Em mulheres pós-menopausa sem terapia de reposição hormonal, um endométrio com espessura ≤ 4-5 mm geralmente indica baixo risco de malignidade. Se o endométrio estiver espessado (> 4-5 mm) ou se houver sangramento persistente sem causa identificada no exame físico e com endométrio fino, a histeroscopia com biópsia endometrial é o próximo passo para descartar hiperplasia ou câncer de endométrio.
As principais causas de sangramento pós-menopausa incluem atrofia vaginal/endometrial (a mais comum), pólipos endometriais ou cervicais, hiperplasia endometrial e, mais gravemente, câncer de endométrio ou de colo uterino. Outras causas menos frequentes podem ser infecções ou trauma.
O exame especular e o toque vaginal são os primeiros passos porque permitem identificar e excluir causas benignas e comuns de sangramento, como atrofia vaginal, pólipos cervicais, lesões traumáticas ou inflamatórias do colo e vagina. Isso evita procedimentos mais invasivos desnecessários em muitos casos.
O ultrassom transvaginal é crucial para avaliar a espessura endometrial. Um endométrio com espessura menor que 4-5mm em mulheres sem TRH tem baixo risco de câncer de endométrio, enquanto um espessamento maior requer investigação adicional, como histeroscopia com biópsia.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo