UFMT/HUJM - Hospital Universitário Júlio Müller - Cuiabá (MT) — Prova 2022
D.N.S., 79 anos, vem à consulta ginecológica, apenas com queixa de sangramento vaginal esporádico em pequena quantidade, tipo “água de carne”, com surgimento há 8 meses. Ela não procurou atendimento prévio devido ao medo da COVID-19. Solicitados exames, apresenta USG transvaginal com útero aumentado de tamanho, volume 213 cm³, endométrio de 2,2 cm e ovários normais. Nega TH, relata hipertensão e diabetes em tratamento. Diante do quadro clínico apresentado, a principal hipótese diagnóstica é:
Mulher > 70 anos com sangramento pós-menopausa "água de carne" + endométrio > 4mm → Câncer de endométrio até prova em contrário.
Sangramento pós-menopausa, especialmente em idosas e com fatores de risco como obesidade, diabetes e hipertensão, é um sinal de alerta para câncer de endométrio. Um endométrio espessado (> 4-5 mm na pós-menopausa) na USG transvaginal reforça essa suspeita, exigindo investigação com biópsia.
O câncer de endométrio é o tipo mais comum de câncer ginecológico em países desenvolvidos, afetando principalmente mulheres na pós-menopausa. Sua importância clínica reside na necessidade de diagnóstico precoce, uma vez que a maioria dos casos é curável quando detectada em estágios iniciais. A epidemiologia mostra uma associação com fatores de risco relacionados à exposição estrogênica prolongada sem oposição progestogênica. A fisiopatologia envolve a proliferação anormal das células endometriais, muitas vezes estimulada pelo estrogênio. O principal sintoma é o sangramento vaginal pós-menopausa, que deve sempre ser investigado. A ultrassonografia transvaginal é o exame de triagem inicial para avaliar o espessamento endometrial. Um endométrio com espessura maior que 4-5 mm em mulheres pós-menopausa sem terapia hormonal é um forte indicativo para biópsia. O tratamento definitivo geralmente envolve histerectomia total com salpingo-ooforectomia bilateral. O prognóstico é bom em estágios iniciais. É crucial que estudantes e residentes estejam atentos aos fatores de risco e à importância da investigação de qualquer sangramento pós-menopausa, pois a detecção tardia pode levar a um pior prognóstico.
O sintoma mais comum é o sangramento vaginal anormal pós-menopausa, que pode ser esporádico, em pequena quantidade ou tipo "água de carne". Dor pélvica e perda de peso são sintomas mais tardios.
A USG transvaginal é o exame inicial para avaliar o espessamento endometrial. Um endométrio > 4-5 mm em mulheres pós-menopausa sem TH é altamente suspeito e indica a necessidade de biópsia endometrial.
Os principais fatores incluem idade avançada, obesidade, diabetes mellitus, hipertensão arterial, uso de tamoxifeno, nuliparidade e síndrome dos ovários policísticos.
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