Sangramento Pós-Menopausa: Investigação e Conduta

FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2020

Enunciado

Paciente com 54 anos, menopausada há 5 anos em uso de terapia hormonal (TH) com estrogênio + progesterona, apresentou quadro de sangramento vaginal discreto, e ultrassonografia revelou endométrio de 13 mm. A melhor conduta a seguir é:

Alternativas

  1. A) suspender TH e repetir ultrassonografia em 6 meses.
  2. B) trocar o esquema de estrogênio + progesterona para somente estrogênio.
  3. C) manter a TH e prescrever AINH e transamin.
  4. D) suspender a TH e realizar histeroscopia.
  5. E) suspender TH, solicitar coagulograma e função hepática.

Pérola Clínica

Sangramento pós-menopausa + endométrio espessado (>5mm em TH) → Investigação imediata com histeroscopia e biópsia.

Resumo-Chave

Qualquer sangramento uterino após a menopausa é um sinal de alarme e exige investigação rigorosa para excluir patologias graves, como câncer de endométrio. A ultrassonografia transvaginal é o exame inicial, mas um endométrio espessado (>4-5mm) ou a persistência do sangramento demanda avaliação histopatológica, sendo a histeroscopia com biópsia o método mais preciso.

Contexto Educacional

O sangramento pós-menopausa é definido como qualquer sangramento vaginal que ocorre 12 meses ou mais após a última menstruação. É um sintoma que sempre deve ser valorizado e investigado, pois, embora a maioria das causas seja benigna (atrofia endometrial, pólipos), cerca de 10% a 15% dos casos podem estar associados a câncer de endométrio, especialmente em pacientes com fatores de risco ou em uso de terapia hormonal. A avaliação inicial inclui história clínica detalhada e ultrassonografia transvaginal para medir a espessura endometrial. Em mulheres na pós-menopausa sem TH, um endométrio > 4 mm é considerado espessado. Em usuárias de TH combinada, esse limite pode ser um pouco maior, mas um endométrio de 13 mm é claramente anormal e requer investigação. A fisiopatologia do sangramento pode envolver proliferação endometrial excessiva, atrofia, pólipos ou malignidade. A conduta diante de sangramento pós-menopausa com endométrio espessado é a investigação histopatológica. A histeroscopia com biópsia dirigida é o padrão-ouro, permitindo a visualização direta da cavidade uterina e a coleta de amostras de áreas suspeitas, o que aumenta a acurácia diagnóstica em comparação com a biópsia cega. A suspensão da TH pode ser considerada, mas não substitui a necessidade de investigação para excluir patologias mais graves.

Perguntas Frequentes

Qual o valor de corte para espessamento endometrial na pós-menopausa em uso de TH?

Em mulheres na pós-menopausa em uso de terapia hormonal combinada, um endométrio com espessura superior a 5 mm (ou 4 mm, dependendo da referência) é considerado espessado e requer investigação adicional.

Por que a histeroscopia é o melhor exame para sangramento pós-menopausa?

A histeroscopia permite a visualização direta da cavidade uterina e a realização de biópsias dirigidas de áreas suspeitas, aumentando a acurácia diagnóstica e permitindo a detecção precoce de pólipos, hiperplasias ou câncer de endométrio.

Quais são as principais causas de sangramento pós-menopausa?

As causas mais comuns incluem atrofia endometrial (a mais frequente), pólipos endometriais, hiperplasia endometrial e, mais gravemente, câncer de endométrio. A terapia hormonal também pode ser uma causa de sangramento.

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