Sangramento Pós-Menopausa: Conduta e Investigação Inicial

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Helena, uma paciente de 62 anos, G0P0, que teve sua menopausa aos 55 anos, procura atendimento ginecológico queixando-se de sangramento vaginal discreto, tipo 'borra de café', com duração de três dias. Ela nega dor abdominal ou outros sintomas associados. No seu histórico médico, destaca-se o diagnóstico de diabetes mellitus tipo 2 em uso de metformina e um índice de massa corporal (IMC) de 34 kg/m². Ao exame físico, apresenta-se em bom estado geral e hemodinamicamente estável. O exame especular revela mucosa vaginal atrófica e presença de pequena quantidade de sangue escurecido exteriorizando-se pelo orifício externo do colo uterino, que não possui lesões visíveis à inspeção. Analise os resultados laboratoriais apresentados na imagem abaixo e assinale a alternativa que indica a conduta inicial mais adequada para o caso.

Alternativas

  1. A) Coletar citologia oncótica cervical (Papanicolau) e aguardar o resultado.
  2. B) Realizar histeroscopia com biópsia dirigida de endométrio imediatamente.
  3. C) Prescrever estrogênio vaginal para tratamento de provável atrofia urogenital.
  4. D) Solicitar ultrassonografia transvaginal para avaliação da espessura endometrial.

Pérola Clínica

Sangramento na pós-menopausa → 1º passo: USG Transvaginal (Avaliar espessura endometrial).

Resumo-Chave

O sangramento pós-menopausa é sinal de alerta para câncer de endométrio. A USG transvaginal é o rastreio inicial; se espessura > 4mm, a biópsia é mandatória.

Contexto Educacional

O sangramento uterino pós-menopausa (SUPM) é um sintoma que exige exclusão imediata de malignidade, embora a causa mais comum seja a atrofia endometrial ou vaginal. A abordagem inicial foca na estratificação de risco através da ultrassonografia transvaginal (USTV). Pacientes como a do caso, com obesidade (IMC 34) e diabetes, apresentam um risco aumentado devido ao estímulo estrogênico crônico. A USTV é um método não invasivo com alto valor preditivo negativo; um endométrio fino (< 4mm) geralmente tranquiliza quanto ao risco de câncer, permitindo condutas conservadoras ou tratamento de atrofia. No entanto, qualquer irregularidade ou espessamento acima do limite exige amostragem tecidual, preferencialmente por histeroscopia, que permite a visualização direta da cavidade e biópsia de áreas suspeitas, superando a curetagem uterina em acurácia diagnóstica.

Perguntas Frequentes

Qual o ponto de corte da espessura endometrial na pós-menopausa?

Em pacientes com sangramento uterino pós-menopausa (SUPM), o ponto de corte mais aceito para a espessura endometrial na ultrassonografia transvaginal é de 4 mm. Se o endométrio medir 4 mm ou menos, o valor preditivo negativo para câncer de endométrio é superior a 99%, sugerindo atrofia. Se for superior a 4 mm, ou se o sangramento persistir mesmo com endométrio fino, a investigação histológica via biópsia ou histeroscopia é necessária.

Por que obesidade e diabetes aumentam o risco de câncer de endométrio?

A obesidade está associada à conversão periférica de androgênios em estrogênios (estrona) pelo tecido adiposo, levando a um estado de hiperestrogenismo persistente sem oposição da progesterona, o que estimula a proliferação endometrial. O diabetes mellitus tipo 2 e a resistência insulínica também estão ligados a vias de crescimento celular que favorecem a carcinogênese endometrial, tornando essas pacientes de alto risco para neoplasias.

Quando indicar histeroscopia diretamente no sangramento pós-menopausa?

A histeroscopia com biópsia dirigida é indicada quando a ultrassonografia transvaginal mostra um endométrio espessado (> 4 mm), heterogêneo ou com massas polipoides. Também é indicada se a visualização ultrassonográfica for inadequada ou se o sangramento persistir mesmo com uma medida de espessura normal, pois a biópsia é o padrão-ouro para o diagnóstico definitivo de malignidade ou hiperplasia.

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