Sangramento Pós-Menopausa: Investigação e Conduta

UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2019

Enunciado

Paciente de 65 anos, vem ao consultório referindo 2 episódios de sangramento discreto há um mês. Refere menopausa aos 47 anos, nunca usou Terapia Hormonal. Sem atividade sexual há 10 anos. G3P3(N) A0. Refere último exame ginecológico há 2 anos. Ao exame bom estado geral. IMC: 25. Exame ginecológico: vulva atrófica. Exame especular: vaginite atrófica, colo cilíndrico, orifício externo circular, teste de Schiller: iodo claro. Ao toque útero intra-pélvico em RVF, volume normal. A paciente traz consigo ultrassonografia transvaginal recente que apresenta útero de volume 65 cm³ e endométrio de 9 mm. A melhor conduta diante deste caso será:

Alternativas

  1. A) Adotar conduta expectante e repetir ultrassonografia em 6 meses, uma vez que a principal causa de sangramento pós- menopausa, para esta paciente, seria atrofia endometrial.
  2. B) Fazer Teste de Progesterona por 14 dias, e apenas no caso do teste ser positivo, realizar biópsia endometrial.
  3. C) Realizar Histeroscopia Diagnóstica e biópsia de endométrio, caso necessário, de acordo com o resultado da Histeroscopia.
  4. D) Realizar Curetagem Uterina Semiótica, que seria a melhor forma de obtenção de amostragem representativa de tecido endometrial.
  5. E) Indicar Histerectomia Total abdominal + salpingectomia bilateral, diante da forte suspeita de câncer de endométrio.

Pérola Clínica

Sangramento pós-menopausa com endométrio >4-5mm → investigar malignidade com histeroscopia e biópsia dirigida.

Resumo-Chave

Qualquer sangramento pós-menopausa deve ser investigado para excluir malignidade, especialmente se a espessura endometrial ao ultrassom transvaginal for maior que 4-5 mm. A histeroscopia diagnóstica com biópsia dirigida é o padrão-ouro para avaliação do endométrio, permitindo a visualização direta e amostragem precisa.

Contexto Educacional

O sangramento pós-menopausa é um sintoma que sempre exige investigação rigorosa, pois pode ser o primeiro sinal de câncer de endométrio. Embora a causa mais comum seja a atrofia endometrial, a exclusão de malignidade é prioritária. A paciente em questão, com 65 anos, menopausa aos 47, sem terapia hormonal e com endométrio de 9 mm ao ultrassom transvaginal, apresenta um quadro altamente suspeito. A ultrassonografia transvaginal é o exame inicial para avaliar a espessura endometrial. Uma espessura maior que 4-5 mm em mulheres pós-menopausa com sangramento é um sinal de alerta. Nesses casos, a conduta expectante ou o teste de progesterona são inadequados, pois podem atrasar o diagnóstico de uma neoplasia. A curetagem uterina semiótica, embora utilizada, tem menor acurácia devido à amostragem cega. A histeroscopia diagnóstica com biópsia dirigida é o padrão-ouro para a avaliação do sangramento pós-menopausa. Ela permite a visualização direta de lesões endometriais, como pólipos, hiperplasias ou carcinomas, e a coleta de amostras de tecido de áreas específicas para análise histopatológica, garantindo um diagnóstico preciso e um tratamento adequado e oportuno.

Perguntas Frequentes

Qual a espessura endometrial considerada normal na pós-menopausa?

Em mulheres pós-menopausa sem sangramento e sem uso de terapia hormonal, a espessura endometrial geralmente é menor que 4-5 mm. Com sangramento, qualquer espessura acima de 4-5 mm é considerada suspeita e requer investigação.

Por que a histeroscopia é o método preferencial para investigar sangramento pós-menopausa?

A histeroscopia permite a visualização direta da cavidade endometrial e a realização de biópsias dirigidas de áreas suspeitas, aumentando significativamente a acurácia diagnóstica em comparação com métodos cegos como a curetagem uterina semiótica.

Quais são as principais causas de sangramento pós-menopausa?

As principais causas incluem atrofia endometrial (a mais comum), pólipos endometriais, hiperplasia endometrial e câncer de endométrio. A malignidade deve ser sempre descartada em primeiro lugar devido à sua gravidade.

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