UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2023
Paciente do sexo feminino, 65 anos de idade, em tratamento para diabetes e hipertensão arterial sistêmica, vem a consulta ginecológica referindo sangramento via vaginal no último mês, vermelho vivo em pequena quantidade, que durou 3 dias. A data da última menstruação foi há 12 anos. Nunca fez uso de terapia hormonal e nega cirurgias ginecológicas. Ao exame físico: pressão arterial 120x80 mmHg, peso 101 kg, altura 1,60 m. Ultrassonografia transvaginal realizada uma semana antes da consulta evidencia útero retrovertido com volume de 38 cm3 , eco endometrial de 10mm, anexos não visualizados e miométrio heterogêneo as custas de um nódulo FIGO 4 (provável leiomioma) medindo 1,5 cm. Diante do exposto, a conduta mais indicada para o caso é:
Sangramento pós-menopausa + eco endometrial > 4-5mm → Histeroscopia diagnóstica com biópsia.
Sangramento pós-menopausa sempre exige investigação. A paciente apresenta múltiplos fatores de risco para câncer de endométrio (idade, obesidade, diabetes, hipertensão) e um eco endometrial de 10mm, que é espessado. A histeroscopia diagnóstica com biópsia é a conduta padrão ouro para avaliar a cavidade uterina e obter amostras para histopatologia.
O sangramento vaginal pós-menopausa é um sintoma que nunca deve ser negligenciado, sendo o principal sinal de alerta para o câncer de endométrio. A paciente apresenta múltiplos fatores de risco para essa malignidade, incluindo idade avançada (65 anos), obesidade (IMC calculado em 39,4 kg/m²), diabetes e hipertensão arterial. A última menstruação há 12 anos confirma o estado de pós-menopausa. A ultrassonografia transvaginal revelou um eco endometrial de 10mm. Em mulheres pós-menopausa, um eco endometrial acima de 4-5mm é considerado espessado e requer investigação. O leiomioma FIGO 4 (subseroso) geralmente não é a causa do sangramento, pois sua localização externa ao útero não interfere na cavidade endometrial. Portanto, o foco da investigação deve ser o endométrio. A conduta mais indicada é a histeroscopia diagnóstica com biópsia. A histeroscopia permite a visualização direta da cavidade uterina, identificando lesões focais como pólipos ou áreas de hiperplasia/câncer, e possibilitando a biópsia dirigida para análise histopatológica. Isso é superior a uma biópsia cega ou a condutas expectantes, que poderiam atrasar o diagnóstico de uma condição potencialmente maligna. Iniciar estrogênio ou reposição hormonal combinada seria contraindicado sem o diagnóstico etiológico do sangramento.
Fatores de risco incluem idade avançada, obesidade, diabetes mellitus, hipertensão arterial, uso de tamoxifeno, síndrome dos ovários policísticos, nuliparidade e história familiar de câncer de endométrio ou colorretal.
O eco endometrial é uma medida ultrassonográfica da espessura do endométrio. Em mulheres pós-menopausa, um eco endometrial > 4-5 mm é considerado espessado e indica a necessidade de investigação adicional para excluir patologias malignas.
A histeroscopia permite a visualização direta da cavidade uterina, identificando lesões focais (pólipos, miomas submucosos) e permitindo biópsias dirigidas, o que aumenta a sensibilidade e especificidade diagnóstica em comparação com a biópsia cega.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo