Sangramento Pós-Menopausa: Investigação e Conduta Essencial

ENARE/ENAMED — Prova 2024

Enunciado

Mulher de 55 anos já não menstruava havia dois anos, entretanto, há cerca de um mês, vem apresentando sangramentos esporádicos de moderada intensidade, associados a cólicas. Como comorbidades, apresenta diabetes e hipertensão. Nega terapia hormonal. Ao exame ginecológico, não apresenta alterações, exceto discreta atrofia da mucosa vaginal. No ultrassom transvaginal observava-se endométrio de 9 mm. Diante desse caso, assinale a alternativa que apresenta a melhor conduta.

Alternativas

  1. A) Prescrever lubrificante à base de água, visto que o sangramento é devido à atrofia.
  2. B) Realizar investigação com histeroscopia e biópsia dirigida.
  3. C) A provável causa do sangramento é um mioma submucoso. Indicar miomectomia.
  4. D) Indicar histerectomia total abdominal por hiperplasia endometrial com atipia.
  5. E) Prescrever noretisterona 0,35 mg por 12 meses e reavaliar em 1 ano.

Pérola Clínica

Sangramento pós-menopausa + endométrio > 4-5mm → histeroscopia + biópsia.

Resumo-Chave

Qualquer sangramento pós-menopausa é um sinal de alerta e deve ser investigado para excluir malignidade, especialmente câncer de endométrio. Um endométrio de 9 mm no ultrassom transvaginal é espesso e indica a necessidade de biópsia dirigida, sendo a histeroscopia o método ideal para visualização e coleta de material.

Contexto Educacional

O sangramento pós-menopausa (SPM) é um sintoma que exige investigação imediata, pois pode ser o primeiro sinal de câncer de endométrio, a neoplasia ginecológica mais comum em mulheres após a menopausa. Embora a atrofia vaginal seja a causa mais frequente, a exclusão de malignidade é prioritária. A idade da paciente e a presença de comorbidades como diabetes e hipertensão são fatores de risco para câncer de endométrio. A investigação inicial do SPM geralmente envolve o ultrassom transvaginal para avaliar a espessura endometrial. Um endométrio de 9 mm em uma mulher pós-menopausa sem terapia hormonal é claramente espessado e altamente suspeito. Nesses casos, a histeroscopia com biópsia dirigida é o padrão-ouro. Ela permite a visualização direta da cavidade uterina, identificação de lesões focais (pólipos, miomas submucosos, hiperplasias atípicas ou carcinomas) e coleta de material para histopatologia de forma precisa. A conduta deve ser sempre direcionada à exclusão de malignidade. A biópsia endometrial é crucial para o diagnóstico diferencial entre atrofia, hiperplasia endometrial (com ou sem atipias) e carcinoma. O tratamento dependerá do resultado histopatológico, podendo variar de acompanhamento a histerectomia. É fundamental não subestimar o SPM e realizar uma investigação completa.

Perguntas Frequentes

Qual o significado de sangramento pós-menopausa?

Sangramento pós-menopausa é qualquer sangramento vaginal que ocorre após 12 meses consecutivos de amenorreia em uma mulher na menopausa e deve ser sempre investigado para excluir patologias graves, como câncer de endométrio.

Qual o valor de corte para espessamento endometrial no ultrassom transvaginal em mulheres pós-menopausa?

Em mulheres pós-menopausa sem terapia hormonal, um endométrio com espessura > 4-5 mm no ultrassom transvaginal é considerado espessado e requer investigação adicional.

Por que a histeroscopia com biópsia dirigida é a melhor conduta neste caso?

A histeroscopia permite a visualização direta da cavidade uterina, identificando lesões focais como pólipos ou áreas de hiperplasia/câncer, e a realização de biópsia dirigida, aumentando a acurácia diagnóstica em comparação com a biópsia cega.

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