SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2021
Mulher branca, 60 anos de idade, desde os 45 anos de idade entrou na menopausa. A primeira menstruação ocorreu aos 9 anos. Teve 3 gestações e todas evoluíram para parto normal. Refere hipertensão bem controlada com medicação. IMC: 30Kg/m². Vem ao pronto atendimento pois apresentou sangramento vaginal, de pouca quantidade, há 3 dias, com melhora espontânea após 2 dias do início do evento. Hoje apresenta sangramento tipo borra de café. Nega cólica ou outros sintomas associados. Nega uso de medicações no momento ou histórico de reposição hormonal. Ao exame físico: corada e hidratada. Abdome flácido, indolor à palpação e sem visceromegalias. Exame especular: presença de sangramento não ativo de pouca quantidade coletado em fundo vaginal. TV: ausência de dor à mobilização do colo uterino. Ultrassonografia Transvaginal realizada evidencia útero em retroversoflexão com dimensões, morfologia e contornos preservados. Medida total: 40cm³, miométrio com ecotextura homogênea, eco endometrial centrado homogêneo de 6mm. Ovários não visualizados. Ausência de líquido livre na cavidade.Diante do resultado da ultrassonografia transvaginal é correto afirmar:
Sangramento na pós-menopausa + Endométrio > 4-5mm → Investigação obrigatória com biópsia/histeroscopia.
Qualquer sangramento vaginal após a menopausa deve ser investigado. Embora a atrofia seja a causa mais comum, um eco endometrial ≥ 5mm em pacientes sintomáticas aumenta o risco de malignidade, exigindo avaliação histológica.
O manejo do sangramento pós-menopausa (SPM) é um pilar da ginecologia oncológica. A obesidade (IMC 30 kg/m² na paciente) é um fator de risco crítico, pois o tecido adiposo converte androgênios em estrona, gerando um estado de hiperestrogenismo sem oposição da progesterona, o que estimula a proliferação endometrial. A ultrassonografia transvaginal atua como um método de triagem; um eco endometrial de 6mm em uma paciente com sangramento é considerado espessado, exigindo prosseguimento diagnóstico. A biópsia endometrial é fundamental para diferenciar entre hiperplasias benignas e o adenocarcinoma de endométrio, garantindo o tratamento cirúrgico precoce quando necessário.
Para mulheres na pós-menopausa que apresentam sangramento vaginal (sintomáticas), o ponto de corte amplamente aceito para o eco endometrial na ultrassonografia transvaginal é de 4 a 5 mm. Um endométrio ≤ 4 mm tem um alto valor preditivo negativo para câncer de endométrio. No entanto, se o endométrio for ≥ 5 mm em uma paciente com sangramento, a investigação histológica via biópsia ou histeroscopia é mandatória. Em pacientes assintomáticas, o ponto de corte é mais controverso, geralmente considerado acima de 8 a 11 mm.
A causa mais frequente de sangramento uterino anormal na pós-menopausa é a atrofia endometrial ou vaginal, devido à deficiência estrogênica. Outras causas comuns incluem pólipos endometriais, hiperplasia endometrial e o uso de terapia de reposição hormonal. Contudo, a preocupação central é o carcinoma de endométrio, que está presente em cerca de 10% das mulheres com sangramento nesta fase da vida. Por isso, a exclusão de malignidade é a prioridade na investigação clínica.
A histeroscopia com biópsia dirigida é o padrão-ouro, pois permite a visualização direta da cavidade uterina e a coleta de material de áreas suspeitas, sendo superior à biópsia às cegas (como a curetagem ou Pipelle) em sensibilidade e especificidade. Ela é especialmente indicada quando a biópsia ambulatorial é inconclusiva, quando há suspeita de lesões focais (como pólipos ou miomas submucosos) ou quando o sangramento persiste mesmo com biópsia inicial negativa.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo