Hospital Unimed-Rio (RJ) — Prova 2020
Mulher, 54 anos de idade, menopausada há 5 anos, encaminhada para consulta ambulatorial por sangramento intermitente em pequena quantidade há 4 meses. Hipertensa, diabética, IMC = 31kg/m² e dislipidêmica, trouxe ultrassonografia evidenciando espessura endometrial de 4mm, útero de 90cc de volume, ovários não visualizados. Ausência de líquido livre na pelve. Qual a conduta a ser indicada na presente consulta?
Sangramento na pós-menopausa + fatores de risco (obesidade/DM) → Biópsia obrigatória, mesmo com eco < 5mm.
Embora um endométrio de 4mm seja frequentemente considerado 'fino', a presença de sangramento persistente em paciente com a tríade de risco (obesidade, DM, HAS) exige investigação diagnóstica definitiva.
O sangramento uterino na pós-menopausa é câncer de endométrio até que se prove o contrário, embora a causa mais comum seja a atrofia endometrial. A ultrassonografia transvaginal é o exame de triagem inicial. No caso apresentado, a paciente possui a 'tríade clássica' para o câncer de endométrio tipo I (endometrioide): obesidade, diabetes e hipertensão. Nestas pacientes de alto risco, a persistência do sintoma (sangramento intermitente há 4 meses) torna a avaliação histológica mandatória. A histeroscopia com biópsia oferece a melhor sensibilidade e especificidade, permitindo descartar malignidade e identificar causas benignas que justificam o sangramento.
Para pacientes assintomáticas, o ponto de corte para investigação costuma ser > 8-11mm. No entanto, para pacientes com sangramento (sintomáticas), o valor de referência é 4-5mm. Se o endométrio for ≤ 4mm, o valor preditivo negativo para câncer é alto (cerca de 99%), mas não é de 100%. Em casos de sangramento persistente ou recorrente, a investigação deve prosseguir independentemente da medida.
A histeroscopia é o padrão-ouro porque permite a visualização direta da cavidade uterina, identificando lesões focais (como pólipos ou miomas submucosos) que podem ser perdidas em procedimentos cegos. Além disso, permite a biópsia dirigida da área mais suspeita, aumentando significativamente a acurácia diagnóstica em comparação com a curetagem uterina de prova, que é um procedimento cego e com maior taxa de falso-negativo.
Os principais fatores estão ligados ao hiperestrogenismo sem oposição da progesterona: obesidade (conversão periférica de androgênios em estrona no tecido adiposo), menarca precoce, menopausa tardia, nuliparidade, anovulação crônica (SOP) e uso de tamoxifeno. Diabetes mellitus e hipertensão arterial também são fatores de risco independentes clássicos.
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