Sangramento Pós-Menopausa: Histeroscopia para Diagnóstico Preciso

UFCSPA - Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (RS) — Prova 2022

Enunciado

Paciente de 65 anos refere sangramento vaginal intermitente e de pequena quantidade há quatro meses. Traz na consulta ultrassom (US) transvaginal com endométrio heterogêneo de 0,8cm e biópsia endometrial por cureta de Novak, realizada em outro serviço, negativa para câncer de endométrio. Nega comorbidades e apresenta exame ginecológico com atrofia da mucosa vaginal, sem lesões visíveis.  Qual a próxima conduta a ser seguida?

Alternativas

  1. A) Repetir US transvaginal.
  2. B) Estrogenioterapia transdérmica e óvulo de progesterona por 90 dias.
  3. C) Histeroscopia com biópsia de endométrio.
  4. D) Curetagem uterina.

Pérola Clínica

Sangramento pós-menopausa + USG alterada + biópsia cega negativa → Histeroscopia com biópsia direcionada.

Resumo-Chave

Em sangramento pós-menopausa, mesmo com biópsia cega (cureta de Novak) negativa, a persistência do sangramento e um endométrio heterogêneo no USG indicam a necessidade de histeroscopia com biópsia direcionada para excluir neoplasia endometrial, que pode ter sido perdida na biópsia inicial.

Contexto Educacional

O sangramento uterino pós-menopausa (SUPM) é definido como qualquer sangramento vaginal que ocorre 12 meses após a última menstruação. É um sintoma que sempre deve ser investigado, pois, embora a maioria das causas seja benigna (como atrofia endometrial ou vaginal), o câncer de endométrio é a principal preocupação e deve ser excluído. A prevalência de câncer de endométrio em mulheres com SUPM varia de 5% a 15%. A investigação inicial do SUPM geralmente envolve a ultrassonografia transvaginal para avaliar a espessura e a morfologia do endométrio. Um endométrio com espessura maior que 4-5 mm em pacientes sintomáticas é considerado um achado de risco e requer investigação adicional. No caso apresentado, a paciente tem um endométrio heterogêneo de 0,8 cm (8 mm), o que é um achado preocupante. A biópsia endometrial é o próximo passo. No entanto, uma biópsia cega, como a realizada por cureta de Novak, pode não ser diagnóstica se a lesão for focal ou se o material coletado for insuficiente. Diante de um sangramento persistente e um endométrio heterogêneo, mesmo com uma biópsia cega negativa, a histeroscopia com biópsia direcionada é a conduta mais adequada. A histeroscopia permite a visualização direta da cavidade uterina, identificando e biopsiando precisamente qualquer área suspeita, aumentando a sensibilidade diagnóstica para lesões pré-malignas e malignas.

Perguntas Frequentes

Qual a importância do sangramento pós-menopausa?

O sangramento pós-menopausa é um sinal de alerta crucial, pois é o principal sintoma de câncer de endométrio. Embora a maioria das causas seja benigna (como atrofia endometrial), a neoplasia maligna deve ser sempre excluída.

Qual o papel da ultrassonografia transvaginal na investigação do sangramento pós-menopausa?

A USG transvaginal é a primeira linha de investigação, avaliando a espessura e a homogeneidade do endométrio. Um endométrio com espessura > 4-5 mm ou heterogêneo em pacientes com sangramento pós-menopausa requer investigação adicional, como biópsia.

Por que a histeroscopia com biópsia é superior à biópsia cega em alguns casos?

A histeroscopia permite a visualização direta da cavidade uterina, identificando lesões focais (pólipos, miomas submucosos, áreas de hiperplasia ou carcinoma) que podem ser perdidas em biópsias cegas (como a cureta de Novak), garantindo uma biópsia direcionada e mais precisa.

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