Sangramento Pós-Menopausa: Guia de Investigação e Conduta

HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2020

Enunciado

Mulher, 52 anos de idade, menopausada, há 5 anos em tratamento para diabetes tipo 2 e hipertensão arterial sistêmica, em consulta ambulatorial, com queixa de sangramento intermitente há 4 meses, em pequena quantidade. Paciente sem vida sexual ativa há 3 anos. Ao exame clínico, apresenta como único dado alterado IMC = 32 kg/m². Ao exame especular, colo aparentemente epitelizado e impérvio, sem secreções patológicas, com sangramento coletado em fundo de saco, em mínima quantidade. Qual é a conduta indicada nesta consulta?

Alternativas

  1. A) Histerectomia total via abdominal
  2. B) Histerectomia total via vaginal
  3. C) Histeroscopia com biópsia
  4. D) Ressonância magnética de pelve

Pérola Clínica

Sangramento pós-menopausa SEMPRE exige investigação para excluir malignidade endometrial, sendo histeroscopia com biópsia a conduta padrão.

Resumo-Chave

Sangramento uterino pós-menopausa é um sinal de alerta para câncer de endométrio e deve ser sempre investigado. A histeroscopia com biópsia é o método mais preciso para avaliar a cavidade uterina e obter material para análise histopatológica, sendo a conduta de escolha.

Contexto Educacional

O sangramento pós-menopausa é definido como qualquer sangramento vaginal que ocorre 12 meses ou mais após a última menstruação. É um sintoma que nunca deve ser ignorado, pois é o sinal de alerta mais comum para câncer de endométrio, que é o câncer ginecológico mais frequente em países desenvolvidos. A paciente do caso apresenta múltiplos fatores de risco para câncer de endométrio, como idade avançada, menopausa, obesidade, diabetes tipo 2 e hipertensão arterial sistêmica. A investigação do sangramento pós-menopausa deve ser sistemática. Inicialmente, realiza-se uma anamnese detalhada e exame físico completo, incluindo exame especular e toque vaginal. A ultrassonografia transvaginal é frequentemente o próximo passo para avaliar a espessura endometrial. No entanto, mesmo com espessura endometrial normal, a presença de sangramento exige investigação adicional. A histeroscopia com biópsia é considerada o padrão-ouro para o diagnóstico, pois permite a visualização direta da cavidade uterina, a identificação de lesões focais e a obtenção de amostras de tecido para análise histopatológica, diferenciando entre atrofia endometrial, pólipos, hiperplasia e câncer. A conduta de histeroscopia com biópsia é essencial para excluir malignidade. Outras opções, como histerectomia total, são tratamentos definitivos para o câncer de endométrio já diagnosticado e estadiado, não uma conduta inicial de investigação. A ressonância magnética de pelve é útil para estadiamento após o diagnóstico, mas não para a investigação inicial do sangramento. Residentes devem estar cientes da importância de uma investigação completa e oportuna para garantir o diagnóstico precoce e o tratamento adequado do câncer de endométrio.

Perguntas Frequentes

Quais são os fatores de risco para câncer de endométrio?

Os principais fatores de risco incluem obesidade, diabetes, hipertensão, terapia de reposição hormonal com estrogênio sem progesterona, nuliparidade e menopausa tardia.

Qual o primeiro passo na investigação de sangramento pós-menopausa?

O primeiro passo é uma avaliação clínica completa, incluindo exame físico e especular, seguido geralmente por ultrassonografia transvaginal para avaliar a espessura endometrial.

Por que a histeroscopia com biópsia é a conduta indicada?

A histeroscopia permite a visualização direta da cavidade uterina e a biópsia dirigida de áreas suspeitas, oferecendo o diagnóstico mais preciso para hiperplasia ou câncer de endométrio.

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