FMP/UNIFASE - Faculdade de Medicina de Petrópolis (RJ) — Prova 2020
Paciente 53 anos, menopausa aos 48 anos, comparece ao consultório se queixando de sangramento transvaginal. Realizou um ultrassom transvaginal que mostrou útero de dimensões normais, endométrio de 4mm e ovários atróficos. Seu médico deverá:
Sangramento pós-menopausa SEMPRE exige investigação para excluir malignidade, mesmo com endométrio fino.
Qualquer sangramento transvaginal após a menopausa é um sinal de alerta e deve ser investigado ativamente para excluir causas malignas, como o câncer de endométrio, independentemente da espessura endometrial ao ultrassom. A histeroscopia com biópsia endometrial é o padrão-ouro para essa investigação, permitindo a visualização direta da cavidade uterina e a coleta de material para análise histopatológica.
O sangramento pós-menopausa é definido como qualquer sangramento vaginal que ocorre 12 meses após a última menstruação. É um sintoma que nunca deve ser ignorado, pois, embora a causa mais comum seja a atrofia endometrial ou vaginal, é um sinal de alerta para condições mais graves, como o câncer de endométrio, que afeta cerca de 10% das mulheres com este sintoma. A incidência de câncer de endométrio aumenta com a idade e fatores de risco como obesidade, diabetes e terapia de reposição hormonal estrogênica sem progesterona. A investigação inicial do sangramento pós-menopausa geralmente envolve um ultrassom transvaginal para avaliar a espessura endometrial. Embora um endométrio de 4mm ou menos seja considerado de baixo risco para malignidade, a presença de sangramento ainda exige uma investigação mais aprofundada. A fisiopatologia do câncer de endométrio envolve a proliferação anormal das células endometriais, muitas vezes estimulada por exposição prolongada a estrogênio sem oposição. A conduta padrão para sangramento pós-menopausa, mesmo com endométrio fino, é a histeroscopia com biópsia endometrial. Este procedimento permite a visualização direta da cavidade uterina e a coleta de amostras para análise histopatológica, sendo crucial para o diagnóstico diferencial e a exclusão de malignidade. A reposição hormonal estrogênica não deve ser prescrita antes da exclusão de câncer de endométrio, e o acompanhamento ultrassonográfico isolado não é suficiente para descartar lesões pré-malignas ou malignas.
A espessura endometrial é um fator importante na avaliação do sangramento pós-menopausa. Um endométrio ≤ 4mm ao ultrassom transvaginal geralmente tem baixo risco de malignidade, mas não a exclui. Endométrios > 4mm aumentam a suspeita e a necessidade de biópsia.
A histeroscopia com biópsia é o padrão-ouro porque permite a visualização direta de toda a cavidade uterina, identificando lesões focais que podem ser perdidas em biópsias cegas, e a coleta de amostras direcionadas para análise histopatológica precisa, confirmando ou excluindo malignidade.
As principais causas incluem atrofia endometrial e vaginal (mais comum), pólipos endometriais, hiperplasia endometrial e, mais preocupante, câncer de endométrio. Outras causas menos comuns podem ser miomas submucosos ou terapia hormonal.
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