AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2026
Paciente 60 anos, portadora de hipertensão arterial sistêmica em uso de enalapril, e dislipidemia em uso de rosuvastatina 20 mg, G2C2, menopausa aos 50 anos, fez uso de terapia hormonal por 5 anos, IMC = 30 kg/m². Iniciou com sangramento vaginal há 3 dias. Ultrassom mostra endométrio de 8 mm. Qual seria a sua conduta?
Sangramento na pós-menopausa + endométrio ≥ 4-5 mm = Investigação histológica obrigatória.
Todo sangramento vaginal na pós-menopausa deve ser investigado. O ponto de corte ultrassonográfico de 4-5 mm para o endométrio ajuda a triar pacientes que necessitam de biópsia para excluir malignidade.
O sangramento uterino anormal na pós-menopausa é um sinal de alerta clássico para o câncer de endométrio, embora a causa mais comum seja a atrofia endometrial ou vaginal. A obesidade é um fator de risco crítico, pois o tecido adiposo converte androstenediona em estrona via aromatase, gerando um estado de hiperestrogenismo relativo. O manejo inicial envolve a ultrassonografia transvaginal para medir a espessura endometrial. Quando o endométrio ultrapassa o limite de segurança em uma paciente sintomática, a obtenção de tecido para análise histopatológica é essencial. A biópsia por aspiração ou curetagem ambulatorial tem alta sensibilidade para detectar processos globais, mas a histeroscopia permanece como ferramenta superior para avaliação de patologias focais.
Para pacientes com sangramento vaginal na pós-menopausa, o valor de corte amplamente aceito é de 4 a 5 mm. Se o endométrio for ≤ 4 mm, o risco de câncer é extremamente baixo (< 1%), podendo-se considerar observação. Se > 4-5 mm, a avaliação histológica é mandatória. Em pacientes assintomáticas, o corte é mais controverso, geralmente adotando-se 8 a 11 mm.
Os principais fatores incluem exposição estrogênica sem oposição da progesterona (obesidade, nuliparidade, menarca precoce, menopausa tardia), uso de tamoxifeno, síndrome de Lynch e diabetes mellitus. No caso clínico, a paciente apresenta obesidade (IMC 30) e uso prévio de terapia hormonal, o que eleva seu risco basal.
A biópsia de consultório (com cureta de Novak ou Pipelle) é o passo inicial devido ao baixo custo e facilidade. Se a amostra for insuficiente ou os sintomas persistirem apesar de biópsia negativa, a histeroscopia com biópsia dirigida é o padrão-ouro, pois permite visualizar lesões focais (pólipos ou miomas submucosos) que podem ter sido perdidas na biópsia às cegas.
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