Sangramento Pós-Menopausa: Avaliação e Risco de Câncer Endometrial

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2019

Enunciado

Mulher de 67 anos com queixa de episódios de discreto sangramento via vaginal vermelho vivo, recorrentes há 02 meses, observados principalmente ao urinar. AP: HAS e DM descontrolados, infertilidade por anovulação crônica. AF: pai e irmã com neoplasia intestinal. Exame físico: corada, hidratada, PA 160 x 87 mmHg, IMC 45 kg/m². Os diagnósticos mais prováveis e as condutas mais apropriadas na avaliação inicial são:

Alternativas

  1. A) atrofia endometrial/pólipo endometrial; orientação para observação de novos episódios de sangramento e solicitar ultrassonografia transvaginal e histeroscopia diagnóstica.
  2. B) displasia cervical/neoplasia de colo uterino; exame físico ginecológico, realização de colposcopia e coleta de citologia oncótica cervical.
  3. C) hiperplasia endometrial/neoplasia endometrial; exame físico ginecológico e coleta de biópsia endometrial às cegas.
  4. D) hipotireoidismo/infecção urinária; avaliação laboratorial de função tireoideana e realização de urinálise e urocultura.

Pérola Clínica

Sangramento pós-menopausa + obesidade/DM/HAS/anovulação → suspeitar neoplasia/hiperplasia endometrial; conduta inicial = biópsia endometrial.

Resumo-Chave

O sangramento vaginal pós-menopausa é um sinal de alerta para patologias endometriais, incluindo câncer. Fatores de risco como obesidade, DM, HAS e anovulação crônica aumentam a probabilidade de hiperplasia ou neoplasia endometrial, tornando a biópsia endometrial a conduta inicial mais apropriada.

Contexto Educacional

O sangramento vaginal pós-menopausa é um sintoma que nunca deve ser ignorado, pois é o principal sinal de alerta para patologias endometriais, incluindo hiperplasia e câncer de endométrio. Embora muitas vezes seja benigno, como na atrofia endometrial, a exclusão de malignidade é prioritária. A paciente do caso apresenta múltiplos fatores de risco para câncer de endométrio, como idade avançada, obesidade (IMC 45), diabetes e hipertensão descontrolados, e infertilidade por anovulação crônica, que indica exposição prolongada a estrogênio sem oposição de progesterona. A investigação inicial de sangramento pós-menopausa geralmente começa com uma ultrassonografia transvaginal para avaliar a espessura endometrial. No entanto, o diagnóstico definitivo de hiperplasia ou neoplasia endometrial requer análise histopatológica. A biópsia endometrial, seja por curetagem uterina ou por aspiração (biópsia de Pipelle), é o método padrão-ouro para obter tecido para exame. Dada a alta suspeição clínica pelos fatores de risco e o sintoma de sangramento, a conduta mais apropriada é prosseguir com o exame físico ginecológico e a coleta de biópsia endometrial às cegas. A histeroscopia diagnóstica pode ser considerada em um segundo momento, caso a biópsia inicial seja inconclusiva ou para melhor visualização de lesões focais. O tratamento dependerá do resultado histopatológico, variando de acompanhamento a histerectomia.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para câncer de endométrio?

Obesidade, diabetes mellitus, hipertensão arterial, anovulação crônica (síndrome dos ovários policísticos), terapia de reposição hormonal com estrogênio sem progesterona, tamoxifeno e história familiar.

Qual a primeira linha de investigação para sangramento pós-menopausa?

A ultrassonografia transvaginal para avaliar a espessura endometrial é o exame inicial, mas a biópsia endometrial é fundamental para o diagnóstico histopatológico definitivo.

Quando a histeroscopia é indicada na investigação de sangramento pós-menopausa?

A histeroscopia com biópsia dirigida é indicada quando a biópsia às cegas é inconclusiva, há suspeita de lesão focal ou para melhor visualização da cavidade uterina.

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