CESUPA - Centro Universitário do Estado do Pará — Prova 2024
M.B, 65 anos de idade, vem à consulta ginecológica com queixa de sangramento vaginal em pequena quantidade que durou 2 dias. Refere menopausa aos 51 anos, nega terapia de reposição hormonal e faz uso de captopril para hipertensão arterial sistêmica. A ultrassonografia transvaginal evidencia útero retrovertido, com volume de 37cm³, mioma classificado como FIGO 6 e eco endometrial regular de 8 mm. Exame físico ginecológico sem alterações. Diante do exposto, a conduta mais adequada é:
Sangramento pós-menopausa + eco endometrial >4-5mm → investigar câncer/hiperplasia endometrial → histeroscopia com biópsia é padrão-ouro.
Qualquer sangramento vaginal pós-menopausa é um sinal de alerta e deve ser investigado para excluir malignidade, principalmente câncer de endométrio. Embora a paciente tenha um mioma, o eco endometrial de 8mm é considerado espessado para uma mulher pós-menopausa sem terapia hormonal. A histeroscopia com biópsia é o método mais adequado para avaliar o endométrio e obter um diagnóstico histopatológico definitivo.
O sangramento vaginal pós-menopausa (SVPM) é definido como qualquer sangramento genital que ocorre 12 meses ou mais após a última menstruação. É um sintoma que nunca deve ser negligenciado, pois, embora a maioria das causas seja benigna, até 10-15% dos casos podem ser devido a câncer de endométrio. A idade da paciente, a ausência de terapia de reposição hormonal e o volume do sangramento são fatores importantes na avaliação. A investigação inicial do SVPM geralmente envolve a ultrassonografia transvaginal para avaliar o eco endometrial. Em mulheres pós-menopausa sem terapia hormonal, um eco endometrial de 4-5 mm ou mais é considerado anormal e requer investigação adicional. A histeroscopia com biópsia endometrial é o padrão-ouro para o diagnóstico, pois permite a visualização direta da cavidade uterina e a coleta de amostras direcionadas para análise histopatológica, diferenciando hiperplasia, pólipos e câncer. Embora miomas uterinos sejam comuns, um mioma subseroso (FIGO 6), como o descrito na questão, raramente é a causa primária de SVPM. A presença de miomas não deve desviar a atenção da investigação endometrial. A conduta expectante não é apropriada para SVPM com eco endometrial espessado. O tratamento definitivo dependerá do diagnóstico histopatológico, podendo variar de acompanhamento a histerectomia.
Em mulheres pós-menopausa sem terapia de reposição hormonal, um eco endometrial acima de 4-5mm é considerado espessado e requer investigação. Um eco de 8mm é um achado significativo que aumenta a suspeita de hiperplasia endometrial ou câncer de endométrio, exigindo biópsia.
A histeroscopia permite a visualização direta da cavidade endometrial, identificando lesões focais que podem ser perdidas em uma biópsia cega. A biópsia dirigida oferece amostras mais representativas para o diagnóstico histopatológico preciso, sendo o padrão-ouro para excluir ou confirmar câncer de endométrio.
Miomas submucosos (FIGO 0, 1, 2) podem causar sangramento uterino anormal, inclusive pós-menopausa. No entanto, um mioma FIGO 6 é subseroso e geralmente não é a causa primária de sangramento. Em casos de sangramento pós-menopausa, a prioridade é sempre investigar o endométrio para excluir malignidade, independentemente da presença de miomas.
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