Sangramento Pós-Menopausa: Investigação e Conduta

UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2025

Enunciado

Paciente de 67 anos, refere episódios de sangramento há 4 meses, de início discreto, se intensificando há 1 mês. Nega dor. Refere menopausa aos 50 anos. Nunca usou terapia hormonal. Sem atividade sexual há 10 anos. Nuligesta. Hipertensa, em uso de medicação. Refere último exame ginecológico há 5 anos. Ao exame, apresenta bom estado geral. IMC: 35. Exame ginecológico: vulva atrófica. Exame especular: vaginite atrófica, colo cilíndrico, orifício externo circular, teste de Schiller: iodo claro. Ao toque útero em AVF, volume normal. Realizou ultrassonografia transvaginal, que mostrou útero de volume 66 cm³ e endométrio de 1,2 cm. A conduta a ser tomada para o caso em questão deve ser

Alternativas

  1. A) adotar conduta expectante e repetir ultrassonografia em 6 meses, uma vez que a principal causa de sangramento pós-menopausa é atrofia endometrial.
  2. B) fazer teste de progesterona por 14 dias. Se o teste for positivo, realizar histeroscopia e biópsia endometrial.
  3. C) realizar histeroscopia diagnóstica e biópsia de endométrio, de acordo com o resultado da histeroscopia.
  4. D) realizar curetagem uterina semiótica, em centro cirúrgico e sob anestesia, que seria a melhor forma de obter amostra representativa de tecido endometrial.
  5. E) indicar histerectomia total abdominal com salpingectomia bilateral, diante da forte suspeita de câncer de endométrio.

Pérola Clínica

Sangramento pós-menopausa + endométrio > 4-5 mm (USG) = investigar câncer de endométrio com histeroscopia + biópsia.

Resumo-Chave

Sangramento pós-menopausa é sempre um sinal de alerta para câncer de endométrio. Um endométrio com 1,2 cm (12 mm) na ultrassonografia transvaginal é significativamente espessado e exige investigação invasiva com histeroscopia e biópsia para descartar malignidade.

Contexto Educacional

O sangramento pós-menopausa é um sintoma que exige investigação rigorosa, pois, apesar de a atrofia endometrial ser a causa mais frequente, a malignidade endometrial deve ser sempre descartada. A paciente em questão, com 67 anos, nuligesta e IMC elevado (obesidade), apresenta fatores de risco para câncer de endométrio. A menopausa há 17 anos e a ausência de terapia hormonal são dados importantes para a interpretação dos achados. A ultrassonografia transvaginal é o método de imagem de primeira linha para avaliar o endométrio em casos de sangramento pós-menopausa. Um endométrio de 1,2 cm (12 mm) é significativamente espessado, superando o limite de 4-5 mm que geralmente indica a necessidade de investigação invasiva em mulheres pós-menopausa sem terapia hormonal. Este achado, combinado com o sangramento, levanta forte suspeita de patologia endometrial, como hiperplasia ou câncer. Diante de um endométrio espessado e sangramento pós-menopausa, a histeroscopia diagnóstica com biópsia endometrial é a conduta mais apropriada. A histeroscopia permite a visualização direta da cavidade uterina, identificando lesões focais e permitindo a biópsia dirigida de áreas suspeitas, o que é superior à curetagem uterina semiótica "às cegas" para o diagnóstico de lesões focais. A biópsia é essencial para o diagnóstico histopatológico definitivo e para guiar o tratamento subsequente, caso seja confirmada hiperplasia ou câncer.

Perguntas Frequentes

Qual a importância do sangramento pós-menopausa?

O sangramento pós-menopausa é um sintoma que deve ser sempre investigado, pois, embora a atrofia endometrial seja a causa mais comum, ele pode ser o primeiro sinal de câncer de endométrio em até 10% dos casos.

Qual o valor de corte do espessamento endometrial na ultrassonografia transvaginal que indica investigação?

Para mulheres na pós-menopausa sem terapia hormonal, um espessamento endometrial maior que 4-5 mm na ultrassonografia transvaginal é considerado anormal e requer investigação adicional, como histeroscopia com biópsia.

Por que a histeroscopia com biópsia é a melhor conduta para endométrio espessado?

A histeroscopia permite a visualização direta da cavidade uterina, identificando lesões focais (pólipos, miomas submucosos) ou áreas suspeitas, e a biópsia dirigida oferece uma amostra tecidual representativa para o diagnóstico histopatológico preciso, diferenciando hiperplasia de câncer.

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