Sangramento Digestivo Obscuro: Enteroscopia Intraoperatória

UFRN/HUOL - Hospital Universitário Onofre Lopes - Natal (RN) — Prova 2023

Enunciado

Paciente de 60 anos, sexo masculino, apresenta quadro de melena há 3 meses, tendo recebido múltiplas transfusões de sangue nesse período. Realizou investigação endoscopia digestiva alta e colonoscopia, que não demonstraram alterações significativas, e cintilografia com hemácias marcadas, que sugeriu provável sangramento com origem no intestino delgado. Diante desse quadro, a melhor conduta diagnóstica e terapêutica é

Alternativas

  1. A) cápsula endoscópica.
  2. B) enteroscopia intraoperatória.
  3. C) laparotomia exploradora.
  4. D) arteriografia mesentérica.

Pérola Clínica

Melena + EDA/colonoscopia normais + cintilografia intestino delgado → Enteroscopia intraoperatória para diagnóstico e terapia.

Resumo-Chave

Em casos de sangramento digestivo obscuro com melena, EDA e colonoscopia negativas, e cintilografia positiva para intestino delgado, a enteroscopia intraoperatória é a melhor conduta diagnóstica e terapêutica, permitindo localizar e tratar a lesão em um único procedimento, especialmente após múltiplas transfusões.

Contexto Educacional

O sangramento digestivo obscuro representa um desafio diagnóstico e terapêutico, sendo definido como aquele cuja origem não é identificada após uma endoscopia digestiva alta (EDA) e uma colonoscopia. A maioria desses sangramentos tem origem no intestino delgado. Pacientes com melena persistente e necessidade de múltiplas transfusões indicam um sangramento clinicamente significativo que requer investigação e intervenção urgentes. A cintilografia com hemácias marcadas é uma ferramenta diagnóstica valiosa nesses casos, pois pode detectar sangramentos de baixo fluxo e intermitentes, fornecendo uma localização aproximada do sítio de sangramento no intestino delgado. No entanto, ela não permite a visualização direta ou a intervenção terapêutica. Diante de um sangramento do intestino delgado já localizado por cintilografia e que persiste apesar das investigações iniciais, a enteroscopia intraoperatória surge como a melhor conduta. Este procedimento envolve a exploração cirúrgica do abdome e a introdução de um enteroscópio através de uma enterotomia, permitindo a visualização completa do intestino delgado. A principal vantagem é a capacidade de localizar a lesão com alta precisão e, no mesmo ato, realizar o tratamento definitivo, como a ressecção de uma lesão vascular ou a eletrocoagulação, o que é crucial para pacientes com sangramento refratário e dependência transfusional.

Perguntas Frequentes

O que é sangramento digestivo obscuro?

Sangramento digestivo obscuro é aquele cuja origem não é identificada após endoscopia digestiva alta e colonoscopia. Pode ser oculto (detectado apenas por testes de sangue oculto nas fezes) ou manifesto (melena, hematoquezia), e geralmente tem sua origem no intestino delgado.

Quando a cintilografia com hemácias marcadas é útil na investigação de sangramento digestivo?

A cintilografia com hemácias marcadas é útil para localizar sangramentos digestivos de baixo fluxo, intermitentes ou de difícil localização, especialmente quando a EDA e a colonoscopia são negativas. Ela pode identificar o segmento do trato gastrointestinal onde o sangramento está ocorrendo, mesmo que não seja visível endoscopicamente.

Quais as vantagens da enteroscopia intraoperatória em relação a outros métodos?

A enteroscopia intraoperatória permite a visualização direta de todo o intestino delgado, com a possibilidade de biópsia e intervenção terapêutica (eletrocoagulação, clipagem) no mesmo ato cirúrgico. É particularmente vantajosa em casos de sangramento persistente e refratário, onde outros métodos falharam em localizar a fonte.

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