UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2025
Paciente masculino, 45 anos, agricultor, morador de uma área rural no interior do Rio Grande do Sul. História Clínica: O paciente foi atendido em um hospital de campanha três semanas após uma enchente que devastou sua comunidade. Ele relata múltiplos problemas de saúde desde que foi deslocado para um abrigo temporário superlotado. Nos últimos sete dias, desenvolveu diarreia aquosa, associada a dores abdominais e vômitos. Além disso, descreve episódios de febre intermitente, cefaleia e dor retroorbitária. O paciente também apresenta uma lesão puntiforme no pé direito, resultado de uma ferida causada por um pedaço de metal enferrujado durante a enchente. Relata, ainda, dores musculares e cãibras nos últimos dias. Sua esposa, que está no mesmo abrigo, desenvolveu sintomas respiratórios agudos. Ele expressa preocupação com a segurança das filhas adolescentes, temendo violência sexual no abrigoExames Físicos:-PA: 90/60 mmHg-FC:105 bpm-Temperatura:38,4°C Ao exame físico revela desidratação moderada, abdome doloroso à palpação difusa, lesão puntiforme com eritema e edema no pé direito, além de icterícia leve.História de Saúde: Paciente hipertenso, em uso irregular de medicamentos. Tem histórico de episódios anteriores de dengue, mas nunca apresentou hepatite ou outra doença infecciosa crônica.As condições de vida em abrigos temporários superlotados e a exposição a águas contaminadas aumentam o risco de doenças parasitárias. Qual das seguintes opções é a medida preventiva mais eficaz para evitar doenças parasitárias no contexto de desastres naturais?
Saneamento + Água potável = Medida mais eficaz contra parasitoses e doenças entéricas em desastres.
Em situações de vulnerabilidade extrema e aglomeração, a intervenção ambiental (água e esgoto) supera a eficácia de tratamentos medicamentosos isolados no controle de surtos.
Desastres naturais, como as enchentes descritas, desestruturam a infraestrutura de saúde pública e saneamento, criando um ambiente propício para doenças de veiculação hídrica e alimentar. A estratégia 'WASH' (Water, Sanitation, and Hygiene) é o pilar fundamental da resposta humanitária para reduzir a morbimortalidade em populações deslocadas. Além das parasitoses, o quadro clínico do paciente sugere diagnósticos diferenciais importantes como leptospirose (icterícia, mialgia, exposição a águas de enchente) e dengue (febre, dor retroorbitária). A abordagem deve ser multissetorial, garantindo não apenas o tratamento individual, mas a segurança ambiental e alimentar de todos os abrigados.
O saneamento adequado e a oferta de água potável interrompem o ciclo de transmissão fecal-oral de diversos patógenos, incluindo protozoários, helmintos e bactérias causadoras de diarreia, que proliferam rapidamente em ambientes superlotados.
Os riscos incluem surtos de doenças infectocontagiosas (diarreias, hepatite A, leptospirose), agravamento de doenças crônicas por falta de medicação, problemas de saúde mental e riscos de violência interpessoal devido à falta de privacidade e segurança.
A água deve ser filtrada e clorada ou fervida antes do consumo. Em abrigos, a vigilância sanitária deve garantir que a fonte de abastecimento seja segura e que os reservatórios estejam protegidos de contaminações externas.
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