SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2023
Paciente, sexo masculino, 25 anos de idade, é trazido pelo SAMU ao pronto socorro do Hospital Geral, vítima de trauma auto x auto, há 30 minutos. Paciente dá entrada com colar cervical e prancha rígida, referindo dor em região púbica. No exame inicial,A: Via aérea pérvia, SatO₂: 98% com cateter de O₂:15L/min;B: murmúrios vesiculares bem distribuídos e sem ruídos adventícios, FR:16ipm; C: Bulhas rítmicas e normofonéticas, FC: 80bpm, PA: 120x70mmHg, abdome com dor à palpação em hipogástrio, pelve estável e toque retal sem alterações;D: escala de coma de Glasgow:15, pupilas isocóricas e fotorreagentes;E: presença de equimose em abdome inferior. Realizado sondagem vesical de demora com saída de urina avermelhada.Indique a conduta terapêutica mais adequada, caso o exame complementar apresente alteração intra-peritoneal.
Trauma pélvico + hematúria + equimose suprapúbica → suspeitar lesão vesical/uretral; se intraperitoneal, tratamento cirúrgico.
Em trauma pélvico com dor suprapúbica, equimose e hematúria, a suspeita de lesão vesical ou uretral é alta. Se exames complementares confirmarem ruptura intraperitoneal da bexiga, a conduta de escolha é a exploração cirúrgica e reparo.
O trauma pélvico é frequentemente associado a lesões urogenitais, sendo a bexiga o órgão mais comumente afetado. A ruptura vesical ocorre em cerca de 10-25% dos traumas pélvicos, e sua identificação e manejo adequados são cruciais para prevenir complicações graves como peritonite urinária e sepse. A avaliação inicial de um paciente traumatizado segue os princípios do ATLS, com foco na estabilização hemodinâmica. A suspeita de lesão vesical surge na presença de dor em região púbica, equimose em abdome inferior, incapacidade de urinar ou hematúria macroscópica após trauma pélvico. A sondagem vesical é realizada para avaliar a presença de hematúria e drenar a bexiga. O exame complementar de escolha para confirmar a ruptura vesical e diferenciar entre lesões intraperitoneais e extraperitoneais é a cistografia retrógrada (com contraste). As rupturas vesicais extraperitoneais, que são mais comuns, podem ser manejadas conservadoramente com drenagem vesical por cateter por 7-14 dias. No entanto, as rupturas vesicais intraperitoneais, que resultam do aumento súbito da pressão intravesical em uma bexiga cheia, exigem reparo cirúrgico imediato via laparotomia. Isso é essencial para evitar a peritonite química e infecciosa causada pelo extravasamento de urina para a cavidade peritoneal.
Sinais de alerta incluem dor suprapúbica, equimose em abdome inferior, hematúria macroscópica, incapacidade de urinar, distensão abdominal e, em casos graves, sinais de peritonite.
A diferenciação é feita por cistografia (com contraste retrógrado), que mostrará extravasamento de contraste para a cavidade peritoneal em rupturas intraperitoneais e para o espaço perivesical em rupturas extraperitoneais.
A conduta padrão para ruptura vesical intraperitoneal é a exploração cirúrgica com laparotomia, reparo da lesão vesical em duas camadas e drenagem da cavidade peritoneal para evitar peritonite urinária.
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