Ruptura Vesical Extraperitoneal: Conduta no Trauma Pélvico

SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2024

Enunciado

Homem vítima de trauma automobilístico com impacto frontal é trazido à emergência. O paciente apresenta dor em abdome inferior, hipotensão leve e taquicardia. Foi submetido à hidratação e passagem de sonda vesical de demora. A pressão, após hidratação, é 130 x 60mmHg e a urina apresenta-se vermelha. Realizou tomografia que evidenciou desalinhamento do anel pélvico e vazamento extraperitonial de contraste através de falha na parede lateral da bexiga, sem outros achados. Com relação ao trauma vesical, qual a conduta mais apropriada para esse paciente?

Alternativas

  1. A) Laparotomia exploradora.
  2. B) Cistorrafia e aposição de dreno sentinela.
  3. C) Manutenção da sonda vesical e observação.
  4. D) Cistoscopia com cateterização ureteral bilateral

Pérola Clínica

Ruptura vesical extraperitoneal por trauma pélvico estável → tratamento conservador com sonda vesical.

Resumo-Chave

Rupturas vesicais extraperitoneais, especialmente as associadas a fraturas pélvicas e sem instabilidade hemodinâmica, geralmente podem ser manejadas de forma conservadora com drenagem vesical contínua por sonda, permitindo a cicatrização espontânea. A cirurgia é reservada para casos específicos.

Contexto Educacional

O trauma vesical é frequentemente associado a fraturas pélvicas e pode ser classificado como intraperitoneal ou extraperitoneal. A ruptura extraperitoneal é a mais comum, representando cerca de 80-90% dos casos e geralmente decorre de forças de cisalhamento ou compressão direta da bexiga cheia contra a sínfise púbica. É crucial para residentes compreenderem a distinção para o manejo adequado. O diagnóstico é feito pela cistografia (preferencialmente por tomografia), que demonstra o extravasamento de contraste. A hematúria macroscópica é o sinal mais comum. A ruptura extraperitoneal é caracterizada pelo extravasamento de urina para o espaço perivesical, enquanto a intraperitoneal envolve a cavidade peritoneal. A estabilidade hemodinâmica do paciente é um fator determinante na abordagem inicial. A conduta para a maioria das rupturas vesicais extraperitoneais é conservadora, com drenagem vesical contínua por sonda de Foley por 7 a 14 dias, permitindo a cicatrização espontânea. Indicações cirúrgicas incluem lesão de colo vesical, fragmentos ósseos intravesicais, lesão retal associada ou falha do tratamento conservador. A laparotomia exploradora é reservada para rupturas intraperitoneais ou lesões complexas.

Perguntas Frequentes

Quais são os tipos de ruptura vesical e suas condutas?

A ruptura vesical pode ser intraperitoneal (exige cirurgia) ou extraperitoneal (geralmente tratamento conservador com sonda vesical de demora por 7-14 dias).

Quando a ruptura vesical extraperitoneal necessita de cirurgia?

A cirurgia é indicada se houver fragmentos ósseos na bexiga, lesão de colo vesical, lesão retal associada, ou falha do tratamento conservador com drenagem.

Qual o papel da tomografia no diagnóstico do trauma vesical?

A tomografia com contraste (cistografia por TC) é o método diagnóstico de escolha para identificar e classificar as rupturas vesicais, demonstrando o extravasamento de contraste.

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