Ruptura Uterina: Sinais, Diagnóstico e Manejo de Emergência

IFF/Fiocruz - Instituto Fernandes Figueira (RJ) — Prova 2022

Enunciado

Claudia, G2Pc1, está em trabalho de parto há 12 horas, queixando de piora das contrações, desconforto em baixo ventre e tontura. Partograma preenchido corretamente, com última avaliação há 20 minutos, compatível com feto insinuado, atividade uterina na frequência de 4 contrações em 10 minutos, durando 60 segundos, batimentos cardíacos fetais presentes, colo apagado e com 9 cm de dilatação. O exame físico de agora com útero amolecido, acima da cicatriz umbilical, palpado massa abdominal volumosa, batimentos fetais inaudíveis. Sangramento importante via vaginal e apresentação fetal impalpável pelo toque vaginal. Marque a opção CORRETA:

Alternativas

  1. A) o diagnóstico é hipotonia uterina e deve ser iniciado uterotônicos, como ocitocina;
  2. B) ruptura uterina deve ser suspeitada e está indicado uma laparotomia imediata;
  3. C) deve-se pensar em inversão uterina e proceder com a manobra de Taxe;
  4. D) trata-se de sofrimento fetal agudo por descolamento prematuro da placenta;
  5. E) está indicado cesariana de emergência por desproporção céfalo-pélvica.

Pérola Clínica

Piora súbita em TP, útero amolecido, massa abdominal, BCF inaudíveis, sangramento = Ruptura Uterina → Laparotomia imediata.

Resumo-Chave

A tríade de dor súbita, sangramento vaginal, perda da apresentação fetal e batimentos fetais inaudíveis, especialmente em paciente com cesariana prévia, é altamente sugestiva de ruptura uterina, uma emergência obstétrica que exige intervenção cirúrgica imediata.

Contexto Educacional

A ruptura uterina é uma das emergências obstétricas mais graves, associada a alta morbimortalidade materna e fetal. O caso clínico descreve um cenário clássico: uma paciente G2Pc1 (com cicatriz uterina prévia, fator de risco importante) em trabalho de parto prolongado, que apresenta piora súbita da dor, tontura (sugere hipovolemia), sangramento vaginal importante, batimentos fetais inaudíveis e, crucialmente, útero amolecido com palpação de massa abdominal volumosa e apresentação fetal impalpável. Esses achados são patognomônicos de ruptura uterina, onde o feto pode ter sido expelido para a cavidade abdominal. A palpação de uma massa abdominal volumosa acima da cicatriz umbilical, juntamente com a apresentação fetal impalpável ao toque, indica que o feto não está mais dentro do útero, mas sim no abdome materno. A ausência de batimentos cardíacos fetais reforça a gravidade do quadro e a provável morte fetal. Diante da suspeita de ruptura uterina, a conduta é uma laparotomia imediata para controle do sangramento, extração fetal e reparo uterino ou histerectomia, dependendo da extensão da lesão e do desejo de futura gestação. A estabilização hemodinâmica materna é prioritária. É vital diferenciar a ruptura uterina de outras causas de sangramento no terceiro trimestre, como o descolamento prematuro de placenta, que geralmente cursa com útero hipertonia e dor intensa, mas sem a perda da apresentação fetal ou a palpação de partes fetais na cavidade abdominal.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos da ruptura uterina?

Os sinais clássicos incluem dor abdominal súbita e intensa, sangramento vaginal, taquicardia materna, hipotensão, perda da apresentação fetal ao toque vaginal, útero amolecido e, frequentemente, batimentos cardíacos fetais inaudíveis.

Qual a conduta imediata diante da suspeita de ruptura uterina?

A conduta imediata é a laparotomia de emergência para controle do sangramento, reparo uterino ou histerectomia, e extração fetal. A estabilização hemodinâmica materna com fluidos e transfusão sanguínea é crucial.

Quais são os principais fatores de risco para ruptura uterina?

Os principais fatores de risco incluem cicatriz uterina prévia (especialmente de cesariana), trabalho de parto prolongado ou obstruído, uso excessivo de ocitocina ou prostaglandinas, multiparidade e anomalias uterinas.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo