Ruptura Uterina: Diagnóstico e Conduta de Emergência

USP/Ribeirão Preto - Exame Revalida — Prova 2019

Enunciado

Parturiente de 39 anos de idade, 4G 3P (1 cesárea anterior), 39 semanas, internada em trabalho de parto há 10 horas. Exame clínico: altura uterina 39 cm na admissão, cardiotocografia admissional categoria I. Relata sangramento vaginal em pequena intensidade e parada súbita das contrações na última avaliação anotada no partograma da figura.a) Qual é o diagnóstico? \nb) Qual deve ser a conduta obstétrica neste momento? \n

Alternativas

Pérola Clínica

Parada súbita de contrações + Sangramento vaginal + Cesárea anterior = Ruptura Uterina.

Resumo-Chave

A ruptura uterina é uma catástrofe obstétrica que exige diagnóstico clínico rápido e laparotomia imediata para salvar a mãe e o feto.

Contexto Educacional

A ruptura uterina é mais frequente em úteros cicatriciais, especialmente após cesáreas prévias ou miomectomias. O quadro clínico varia desde a deiscência de cicatriz (assintomática) até a ruptura completa com expulsão fetal para a cavidade abdominal. A tríade clássica envolve dor abdominal súbita, sangramento vaginal e alteração da frequência cardíaca fetal. O manejo anestésico e a reserva de hemoderivados são cruciais, dada a alta morbimortalidade materna associada ao choque hipovolêmico. A prevenção baseia-se na seleção criteriosa de pacientes para prova de trabalho de parto após cesárea e no uso cauteloso de uterotônicos.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais premonitórios da ruptura uterina?

Os sinais clássicos de iminência de ruptura incluem o Sinal de Bandl (anel de constrição separando o corpo do segmento inferior do útero) e o Sinal de Frommel (estiramento dos ligamentos redondos, que se tornam tensos e palpáveis). A paciente geralmente apresenta dor intensa e contínua, agitação e hiperatividade uterina. Quando a ruptura ocorre, há alívio temporário da dor seguido de sinais de choque e parada das contrações.

Qual a conduta imediata após a suspeita de ruptura uterina?

A conduta é a laparotomia exploradora imediata para extração fetal e controle da hemorragia materna. Dependendo da extensão da lesão e do desejo reprodutivo da paciente, pode-se tentar a sutura da lesão (histerorrafia) ou proceder à histerectomia de urgência se o sangramento for incontrolável ou a destruição tecidual for extensa.

Como diferenciar ruptura uterina de descolamento prematuro de placenta (DPP)?

No DPP, o útero apresenta-se hipertônico (lenhoso) e a dor é persistente. Na ruptura uterina consumada, há hipotonia uterina (parada das contrações), as partes fetais tornam-se facilmente palpáveis sob a parede abdominal e há subida da apresentação fetal (Sinal de Reasens). Ambos podem cursar com sangramento vaginal e sofrimento fetal agudo.

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