Ruptura Uterina: Diagnóstico e Manejo em Emergência Obstétrica

HSLRP - Hospital São Luiz Rede D'Or Ribeirão Preto (SP) — Prova 2025

Enunciado

Paciente em trabalho de parto, com história de cesárea anterior, apresenta súbita desaceleração fetal e dor abdominal intensa. Qual é a suspeita clinica mais urgente?

Alternativas

  1. A) Distócia de ombro.
  2. B) Ruptura uterina.
  3. C) Descolamento prematuro de placenta.
  4. D) Procidência de cordão.

Pérola Clínica

Cesárea anterior + desaceleração fetal súbita + dor abdominal intensa em trabalho de parto → suspeitar ruptura uterina.

Resumo-Chave

A ruptura uterina é uma emergência obstétrica grave, especialmente em mulheres com cesárea anterior, devido à fragilidade da cicatriz uterina. A tríade de dor abdominal intensa, desaceleração fetal súbita e sangramento vaginal (nem sempre presente) é altamente sugestiva, exigindo intervenção imediata para salvar a vida da mãe e do feto.

Contexto Educacional

A ruptura uterina é uma das emergências obstétricas mais graves, caracterizada pela separação completa da parede uterina, incluindo o miométrio, com ou sem expulsão do feto para a cavidade abdominal. É uma condição com alta morbimortalidade materna e fetal, exigindo reconhecimento rápido e intervenção imediata. A incidência é maior em mulheres com cicatriz uterina prévia, sendo a cesariana anterior o fator de risco mais significativo, especialmente em partos vaginais após cesariana (PVAC). Os sinais e sintomas de ruptura uterina podem ser variados, mas a apresentação clássica inclui dor abdominal súbita e intensa, que pode ser acompanhada de sangramento vaginal (embora o sangramento possa ser interno e não visível). O sinal mais alarmante e consistente é a alteração súbita do padrão de frequência cardíaca fetal, geralmente com desacelerações prolongadas ou bradicardia, indicando sofrimento fetal agudo. Outros sinais podem incluir a perda da apresentação fetal palpável e o desenvolvimento rápido de choque hipovolêmico materno. O diagnóstico de ruptura uterina é primariamente clínico e a suspeita deve levar à ação imediata. A conduta é a laparotomia exploradora de emergência para realizar o parto e avaliar a extensão da lesão uterina, que pode ser reparada ou, em casos mais graves, exigir histerectomia. A estabilização hemodinâmica da mãe com reposição volêmica e transfusão sanguínea é fundamental. O conhecimento aprofundado dessa condição e a capacidade de agir rapidamente são cruciais para residentes em obstetrícia e emergência, visando melhorar os desfechos maternos e neonatais.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos da ruptura uterina?

Os sinais clássicos incluem dor abdominal súbita e intensa (muitas vezes descrita como "rasgando"), sangramento vaginal (que pode ser discreto ou ausente), desaceleração fetal súbita ou bradicardia, perda da apresentação fetal e, em casos graves, choque hipovolêmico materno.

Qual o principal fator de risco para ruptura uterina?

O principal fator de risco é a presença de uma cicatriz uterina prévia, sendo a cesariana anterior o mais comum. Outros fatores incluem multiparidade, uso excessivo de ocitocina, trauma abdominal e anomalias uterinas.

Qual a conduta imediata na suspeita de ruptura uterina?

A conduta imediata é a laparotomia exploradora de emergência para reparo uterino ou histerectomia, dependendo da extensão da lesão, e o parto do feto. A estabilização hemodinâmica da mãe com fluidos e transfusão sanguínea é crucial.

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