FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2024
Homem de 32 anos cai do 4º andar do prédio. Chega no pronto atendimento com queixa de dor torácica importante, PA = 60 x 40 mmHg, FC = 140 bpm, descorado (+4/+4). Durante o atendimento do paciente, após medidas de reanimação iniciais, foi realizada a tomografia demonstrada na imagem. Qual é a principal hipótese diagnóstica?
Instabilidade hemodinâmica + trauma de alta energia (desaceleração) → suspeitar de Ruptura de Aorta.
A ruptura traumática da aorta ocorre tipicamente no istmo aórtico por desaceleração súbita, cursando com alta mortalidade e necessidade de diagnóstico por imagem rápido (angio-TC).
A ruptura traumática da aorta é uma das principais causas de morte imediata em acidentes de alta energia, como quedas de grandes alturas ou colisões automobilísticas. A fisiopatologia envolve forças de desaceleração, efeito 'martelo de água' e compressão entre o esterno e a coluna. A maioria dos pacientes morre no local; aqueles que chegam ao hospital geralmente possuem uma ruptura contida pela adventícia ou por um hematoma mediastinal. O diagnóstico definitivo é realizado por Angiotomografia de Tórax em pacientes estáveis. O tratamento evoluiu significativamente com a terapia endovascular (TEVAR), que apresenta menores taxas de morbimortalidade em comparação ao reparo cirúrgico aberto tradicional, especialmente em pacientes com múltiplas lesões traumáticas associadas.
O local mais comum de lesão aórtica no trauma fechado é o istmo aórtico, localizado logo distal à emergência da artéria subclávia esquerda, no local de inserção do ligamento arterioso. Isso ocorre porque o arco aórtico é relativamente móvel, enquanto a aorta descendente é fixada à coluna vertebral e pleura, criando um ponto de cisalhamento crítico durante a desaceleração súbita.
Embora a TC seja o padrão-ouro, o raio-X de tórax pode mostrar sinais indiretos como alargamento do mediastino (> 8 cm), desaparecimento do botão aórtico, desvio da traqueia para a direita, depressão do brônquio fonte esquerdo, desvio de sonda nasogástrica e derrame pleural extrapleural (apical cap).
Em pacientes hemodinamicamente estáveis com lesão aórtica contida (pseudoaneurisma), o manejo foca no controle rigoroso da frequência cardíaca (FC < 60-80 bpm) e da pressão arterial sistólica (PAS entre 100-120 mmHg) com betabloqueadores de curta ação (esmolol) para reduzir a força de cisalhamento (dP/dt) até a correção definitiva, preferencialmente por via endovascular (TEVAR).
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