RPM Pré-termo: Profilaxia para Estreptococo Grupo B

UFCSPA - Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (RS) — Prova 2022

Enunciado

M.B.S., 22 anos, G3P2, IG 34+2, tabagista, dois episódios de infecção do trato urinário (ITU) na gestação, vem à consulta com queixa de perda líquida vaginal há 3 horas. Ao exame especular, presença de líquido amniótico claro fluindo pelo colo do útero. Sobre o caso clínico referido, é CORRETO afirmar que:

Alternativas

  1. A) O uso de tocolíticos está indicado por não haver sinais de infecção.
  2. B) Está indicada a profilaxia para estreptococcus do grupo B, nesse caso.
  3. C) Está indicada a realização de sulfato de magnésio para neuroproteção, por se tratar de feto prematuro.
  4. D) Tabagismo, infecções na gestação e crescimento intraútero restrito são fatores de risco para ruptura prematura de membrana (rupreme).

Pérola Clínica

RPM pré-termo (34+2 sem) → Profilaxia para Estreptococo do Grupo B (GBS) é indicada.

Resumo-Chave

Em casos de Ruptura Prematura de Membranas (RPM) pré-termo, a profilaxia para Estreptococo do Grupo B (GBS) é fundamental, independentemente do status de rastreamento, devido ao risco aumentado de infecção neonatal. A idade gestacional de 34+2 semanas é um ponto chave para essa conduta.

Contexto Educacional

A Ruptura Prematura de Membranas (RPM) é a rotura das membranas amnióticas antes do início do trabalho de parto. Quando ocorre antes de 37 semanas de gestação, é chamada de RPM pré-termo (RPMPT), afetando cerca de 2-4% das gestações. É uma das principais causas de parto prematuro e morbimortalidade perinatal, com riscos de infecção materna e fetal, prolapso de cordão e descolamento prematuro de placenta. A fisiopatologia da RPM envolve um desequilíbrio entre a síntese e degradação da matriz extracelular das membranas, frequentemente desencadeado por infecções (especialmente vaginose bacteriana e ITU), inflamação, tabagismo e deficiências nutricionais. O diagnóstico é clínico, com a visualização de líquido amniótico fluindo pelo colo, e pode ser confirmado por testes como o de cristalização (folha de samambaia) e pH vaginal alcalino. O manejo da RPMPT depende da idade gestacional. Em gestações entre 34 e 36 semanas e 6 dias, a conduta geralmente é a indução do parto, associada à profilaxia para Estreptococo do Grupo B (GBS). Corticosteroides para maturação pulmonar fetal são indicados antes de 34 semanas. Tocolíticos são contraindicados na presença de RPM devido ao risco de infecção. A profilaxia antibiótica de amplo espectro é recomendada para prolongar a latência e reduzir a morbidade infecciosa neonatal.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para Ruptura Prematura de Membranas (RPM)?

Os fatores de risco para RPM incluem infecções genitais ou urinárias, tabagismo, gestação múltipla, polidrâmnio, colo curto e história prévia de RPM.

Quando é indicada a profilaxia para Estreptococo do Grupo B (GBS) em casos de RPM?

A profilaxia para GBS é indicada em todas as gestantes com RPM pré-termo, independentemente do resultado do rastreamento, devido ao alto risco de infecção neonatal.

Qual a conduta para neuroproteção fetal em prematuros com RPM?

A neuroproteção fetal com sulfato de magnésio é indicada em gestações com risco de parto prematuro antes de 32 semanas, não sendo rotineiramente utilizada após essa idade gestacional para RPM.

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