Conduta na RPMO entre 24 e 34 Semanas de Gestação

HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2020

Enunciado

Jovem, 14 anos de idade, primigesta, idade gestacional de 33 semanas, chegou ao pronto-socorro com queixa de perda líquida há 2 horas e contrações. Ao exame: frequência cardíaca = 80 batimentos/minutos; temperatura axilar = 36ºC; altura uterina = 31cm. Dinâmica uterina = 2 contrações de 20 segundos a cada 10 minutos; batimentos cardíacos fetais = 146 batimentos/minuto. Especular: líquido claro coletado em fundo de saco posterior. Toque vaginal: não realizado. Qual é a conduta adequada neste momento?

Alternativas

  1. A) Prescrever corticoide e tocolise, se a vitalidade fetal estiver preservada.
  2. B) Indicar parto cesárea imediatamente, ante o risco materno e fetal de infecção.
  3. C) Iniciar indução de parto, se a vitalidade fetal estiver preservada.
  4. D) Avaliar vitalidade fetal e, se estiver preservada, alta hospitalar com orientações.

Pérola Clínica

RPMO 24-34 sem → Corticoide + Tocólise (se necessário por 48h) + Antibiótico.

Resumo-Chave

Entre 24 e 34 semanas, o objetivo é a maturação pulmonar fetal. A tocólise é aceita por 48h para permitir a ação do corticoide, desde que não haja sinais de infecção.

Contexto Educacional

A Ruptura Prematura de Membranas Ovulares (RPMO) pré-termo é uma das principais causas de parto prematuro e morbidade neonatal. O manejo depende estritamente da idade gestacional e da presença de complicações. No intervalo entre 24 e 34 semanas, a conduta é preferencialmente conservadora (expectante). Os pilares do tratamento incluem a corticoterapia para maturação pulmonar e o uso de antibióticos de latência (como ampicilina e eritromicina), que comprovadamente aumentam o tempo entre a ruptura e o parto, além de reduzir infecções neonatais. A interrupção imediata da gestação só é indicada em casos de corioamnionite, descolamento prematuro de placenta ou comprometimento da vitalidade fetal.

Perguntas Frequentes

Quando indicar tocólise na RPMO?

A tocólise na ruptura prematura de membranas ovulares é indicada apenas por um período curto (geralmente 48 horas) com o objetivo exclusivo de permitir o ciclo completo da corticoterapia antenatal, desde que não existam sinais de corioamnionite ou sofrimento fetal.

Qual o papel do corticoide na prematuridade?

O uso de corticoides (Betametasona ou Dexametasona) entre 24 e 34 semanas reduz significativamente a incidência de síndrome do desconforto respiratório neonatal, hemorragia intraventricular e enterocolite necrotizante.

Como diagnosticar a RPMO clinicamente?

O diagnóstico é prioritariamente clínico, através da história de perda líquida vaginal súbita e confirmação pelo exame especular, visualizando a saída de líquido pelo colo uterino ou acúmulo no fundo de saco posterior.

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