USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2024
Primigesta, 41 anos de idade, gestação após ciclo natural induzido. É hipertensa crônica em uso de metildopa 750 mg por dia. Teve data da última menstruação em 18/06/2023. Comparece em primeira consulta de pré-natal com os seguintes exames:A paciente retorna em consulta com 32 semanas de gravidez, com queixa de aumento de conteúdo vaginal há 1 dia. Refere que teve perda urinária espontânea há 4 horas e que, desde então, sente a vagina úmida. Em avaliação obstétrica, tem-se o seguinte achado:Considerando o diagnóstico observado, assinale qual é a conduta profilática imediata em relação ao uso de ampicilina.
RPMO pré-termo → ATB latência (Ampicilina + Azitro); se entrar em TP → Reiniciar profilaxia para GBS.
Na RPMO pré-termo (<34 sem), o esquema de latência (Ampicilina IV 48h seguida de Amoxicilina/Azitromicina) visa prolongar a gestação. Se o trabalho de parto ocorrer após esse ciclo, a profilaxia para GBS deve ser reiniciada.
A Ruptura Prematura de Membranas Ovulares (RPMO) antes de 34 semanas é um desafio obstétrico. O manejo baseia-se em três pilares: corticoterapia para maturação pulmonar, antibioticoterapia de latência e vigilância rigorosa para corioamnionite. O esquema de latência clássico utiliza Ampicilina 2g IV 6/6h por 48 horas, seguido de Amoxicilina oral por 5 dias, associado a uma dose única de Azitromicina (ou curso de Eritromicina). É fundamental distinguir o esquema de latência da profilaxia intraparto para Streptococcus do grupo B (GBS). Como a paciente da questão tem 32 semanas e RPMO, ela tem indicação de profilaxia para GBS independente de swab, pois o parto será pré-termo. Se ela completar as 48h de Ampicilina e o parto não ocorrer, o antibiótico é suspenso (ou transicionado para oral); contudo, se o trabalho de parto iniciar posteriormente, a Ampicilina IV deve ser reiniciada imediatamente para garantir a proteção neonatal durante a passagem pelo canal de parto.
O antibiótico de latência (geralmente Ampicilina + Eritromicina/Azitromicina) é administrado logo após o diagnóstico de RPMO pré-termo para reduzir infecções neonatais e prolongar o tempo até o parto. A profilaxia para GBS é focada especificamente na prevenção da sepse neonatal pelo Streptococcus agalactiae durante o trabalho de parto, sendo obrigatória em prematuros com RPMO se o parto for iminente.
Mesmo que a paciente tenha completado o esquema de latência, a proteção contra a colonização vertical pelo GBS só é eficaz se o antibiótico estiver em níveis terapêuticos no sangue materno durante o nascimento. Portanto, ao iniciar o trabalho de parto, deve-se garantir a cobertura intraparto para GBS.
Geralmente, a conduta conservadora (expectante) é adotada entre 24 e 34 semanas de gestação, desde que não haja sinais de corioamnionite ou sofrimento fetal. Após 34 semanas, a conduta preferencial na maioria dos protocolos é a indução do parto devido ao risco aumentado de infecção superando os riscos da prematuridade moderada.
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