SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2026
Primigesta de 33 semanas de gestação refere perda vaginal de líquido há 4 horas. Nega comorbidades. Refere boa movimentação fetal. Última consulta de pré-natal foi há duas semanas. Ao exame, PA - 100x60 mmHg, temperatura axilar de 36,2°C, altura uterina de 30 cm, batimentos cardiofetais 140 bpm, dinâmica uterina ausente, exame especular com saída de líquido amniótico claro sem grumos pelo orifício cervical externo do colo uterino. Hemograma e exame de urina normais. Além de internação, qual é a conduta mais adequada no caso?
RPMO entre 24-34 sem sem infecção → Conduta conservadora + Corticoide + Antibiótico.
Na RPMO pré-termo (24-34 semanas) sem sinais de corioamnionite, a prioridade é aumentar a latência e promover a maturação pulmonar fetal através de conduta expectante.
A Ruptura Prematura de Membranas Ovulares (RPMO) ocorre em cerca de 3% das gestações e é responsável por um terço dos partos prematuros. O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado na história de perda de líquido e visualização de líquido amniótico no fórnice vaginal ao exame especular. O manejo depende fundamentalmente da idade gestacional e da presença de complicações. Entre 24 e 34 semanas, a conduta é preferencialmente conservadora para reduzir os riscos da prematuridade extrema. Isso inclui internação, repouso relativo, monitorização rigorosa de sinais vitais maternos e vitalidade fetal. A corticoterapia (betametasona ou dexametasona) é fundamental para acelerar a produção de surfactante e reduzir a síndrome do desconforto respiratório. A antibioticoterapia de latência é padrão-ouro para prolongar a gestação. A vigilância para corioamnionite deve ser constante, pois sua ocorrência exige a interrupção imediata da gravidez, independentemente da idade gestacional.
O objetivo principal não é tratar uma infecção instalada, mas sim aumentar o período de latência (tempo entre a ruptura e o parto) e reduzir morbidades neonatais como sepse, hemorragia intraventricular e enterocolite necrotizante. O esquema clássico envolve ampicilina e eritromicina.
A interrupção está indicada na presença de corioamnionite clínica (febre, taquicardia materna/fetal, dor uterina, líquido fétido), sinais de comprometimento da vitalidade fetal, descolamento prematuro de placenta ou ao atingir a idade gestacional de 34 semanas.
O sulfato de magnésio é indicado para neuroproteção fetal apenas se o parto for iminente (trabalho de parto estabelecido ou decisão de interrupção) em gestações abaixo de 32 semanas. Na conduta conservadora estável, ele não é prescrito rotineiramente.
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