Ruptura do Músculo Papilar Pós-IAM: Diagnóstico e Manejo

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2025

Enunciado

Homem, 65 anos de idade, apresentou dor precordial no domicílio, de forte intensidade, com irradiação para membro superior esquerdo e sudorese, porém só procurou atendimento médico 14 horas após o quadro, quando a dor já havia cessado. O exame cardíaco inicial não mostrou alterações significativas. ECG: supradesnivelamento do segmento ST de aproximadamente 1 mm nas derivações D2, D3 e aVF, com inversão de onda T e onda Q patológica nas mesmas derivações. Após 48 horas, notou-se um sopro holossistólico em ápice, irradiado para axila, associado a hipotensão arterial e má perfusão periférica. Qual é a explicação mais provável para o quadro?

Alternativas

  1. A) Ruptura do músculo papilar posterior.
  2. B) Ruptura da parede livre de ventrículo esquerdo.
  3. C) Comunicação interventricular.
  4. D) Insuficiência aórtica.

Pérola Clínica

IAM inferior + sopro holossistólico em ápice + hipotensão = ruptura de músculo papilar e insuficiência mitral aguda.

Resumo-Chave

O quadro de IAM inferior (D2, D3, aVF) seguido por um sopro holossistólico em ápice irradiado para axila, associado a hipotensão e má perfusão, é altamente sugestivo de insuficiência mitral aguda grave devido à ruptura do músculo papilar. Esta é uma complicação mecânica rara, mas fatal, do infarto agudo do miocárdio, especialmente do IAM inferior que afeta o músculo papilar posterior.

Contexto Educacional

A ruptura do músculo papilar é uma complicação mecânica rara, mas catastrófica, do infarto agudo do miocárdio (IAM), com alta mortalidade. Geralmente ocorre entre 2 a 7 dias após o infarto, como no caso descrito (48 horas). É mais frequentemente associada a infartos da parede inferior, devido à irrigação sanguínea única do músculo papilar posterior pela artéria coronária direita, tornando-o mais suscetível à isquemia e necrose. Clinicamente, a ruptura do músculo papilar leva a uma insuficiência mitral aguda grave, resultando em um sopro holossistólico de nova instalação, geralmente audível no ápice e irradiado para a axila. A regurgitação mitral súbita e severa causa um aumento abrupto da pressão atrial esquerda e pulmonar, levando a edema pulmonar agudo e, frequentemente, choque cardiogênico com hipotensão arterial e má perfusão periférica, como observado no paciente. O diagnóstico é confirmado por ecocardiograma, que mostra a ruptura do músculo papilar e a insuficiência mitral severa. O tratamento é uma emergência cirúrgica, com reparo ou substituição da valva mitral, após estabilização hemodinâmica com medidas de suporte, como inotrópicos e, por vezes, balão intra-aórtico para reduzir a pós-carga e melhorar o débito cardíaco. O reconhecimento rápido é vital para a sobrevida do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são as complicações mecânicas mais comuns do infarto agudo do miocárdio?

As complicações mecânicas mais comuns incluem ruptura do septo interventricular, ruptura de parede livre do ventrículo esquerdo e ruptura do músculo papilar, cada uma com apresentações clínicas e prognósticos distintos.

Por que a ruptura do músculo papilar posterior é mais comum no IAM inferior?

O músculo papilar posterior é suprido por uma única artéria (geralmente a coronária direita), tornando-o mais vulnerável à isquemia e necrose em casos de infarto da parede inferior, ao contrário do músculo papilar anterior que tem dupla irrigação.

Qual a conduta inicial para a ruptura do músculo papilar?

A ruptura do músculo papilar causa insuficiência mitral aguda grave e choque cardiogênico. O tratamento inicial envolve estabilização hemodinâmica com inotrópicos e, frequentemente, balão intra-aórtico, seguido de cirurgia de emergência para reparo ou troca valvar mitral.

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