SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2020
Um homem de 42 anos estava dirigindo seu carro após ingestão excessiva de cerveja. Envolveu-se em colisão contra outro automóvel. No momento da colisão, estava sem cinto de segurança. Chocou-se contra o volante. Foi trazido pelo resgate consciente, com pupilas isofotorreagentes, com ventilação normal e estável hemodinamicamente. A pelve era estável, não tinha uretrorragia, mas tinha defesa à palpação de hipogastro e dor à descompressão brusca. Não urinou nenhuma vez desde o trauma. Foi feita sondagem vesical de demora, com saída de urina hematúrica. A tomografia com contraste endovenoso e injeção de contraste pela sonda vesical mostrou extravasamento de contraste pela bexiga, sem lesão de outras vísceras. Diagnóstico mais provável e melhor conduta:
Trauma vesical + extravasamento intraperitoneal = Exploração cirúrgica + cistorrafia.
A presença de defesa e dor à descompressão brusca no hipogastro, associada a extravasamento intraperitoneal de contraste na cistografia, indica ruptura intraperitoneal da bexiga. Esta lesão requer exploração cirúrgica imediata e cistorrafia para evitar peritonite urinária e outras complicações graves.
O trauma vesical é uma complicação comum de traumas abdominais fechados e fraturas pélvicas, sendo a ruptura da bexiga uma lesão potencialmente grave. A apresentação clínica inclui dor hipogástrica, hematúria e incapacidade de urinar. A cistografia, seja por raio-X ou tomografia computadorizada, é o método diagnóstico padrão-ouro para identificar o extravasamento de contraste e diferenciar entre rupturas intraperitoneais e extraperitoneais. A distinção é crucial, pois as rupturas intraperitoneais exigem tratamento cirúrgico imediato para prevenir peritonite e sepse, enquanto as extraperitoneais podem, na maioria dos casos, ser manejadas de forma conservadora. Residentes devem dominar o diagnóstico e a conduta para otimizar o prognóstico dos pacientes.
A lesão vesical geralmente ocorre em traumas abdominais fechados, especialmente quando a bexiga está cheia. Impactos diretos no hipogastro ou fraturas pélvicas são as causas mais comuns. A ruptura intraperitoneal é mais frequente quando a bexiga cheia sofre um impacto direto, enquanto a extraperitoneal está mais associada a fraturas pélvicas.
A diferenciação é feita principalmente pela cistografia (seja por raio-X ou TC). Na ruptura intraperitoneal, o contraste extravasa para a cavidade peritoneal, envolvendo as alças intestinais. Na ruptura extraperitoneal, o extravasamento é confinado ao espaço perivesical, geralmente associado a fraturas pélvicas.
Rupturas intraperitoneais da bexiga exigem exploração cirúrgica e cistorrafia (sutura da bexiga) para evitar peritonite urinária. Rupturas extraperitoneais, na maioria dos casos, podem ser tratadas conservadoramente com sondagem vesical de demora por 10-14 dias, permitindo a cicatrização espontânea, a menos que haja lesões associadas ou extravasamento extenso.
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