Ruptura Esofágica Aguda: Diagnóstico e Manejo Imediato

UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022

Enunciado

Uma paciente de 27 anos de idade, 46kg, tabagista, dependente química, apresenta-se ao serviço de emergência relatando quadro de episódios repetidos de vômitos, dor retroesternal, disfagia e hematêmese iniciados há 24 horas. No momento, apresenta-se com mal estar, temperatura axilar = 38,5ºC, dor retroesternal e torácica, além de taquicardia, taquipneia e sudorese. Considerando o quadro clínico descrito, o provável diagnóstico é de

Alternativas

  1. A) laceração de Mallory-Weiss.
  2. B) perfuração de úlcera gástrica na junção esofagogástrica.
  3. C) ruptura aguda esofágica.
  4. D) neoplasia da junção esofagogástrica com invasão de estruturas adjacentes.
  5. E) infarto agudo do miocárdio (IAM) em paciente jovem.

Pérola Clínica

Vômitos intensos + dor retroesternal/torácica + febre + taquicardia → suspeitar de ruptura esofágica aguda (Boerhaave).

Resumo-Chave

A ruptura esofágica aguda, ou Síndrome de Boerhaave, é uma emergência médica grave, geralmente precipitada por vômitos intensos que aumentam a pressão intraluminal esofágica. A tríade clássica de Mackler (vômitos, dor torácica, enfisema subcutâneo) nem sempre está presente, mas a combinação de dor retroesternal intensa e sinais sistêmicos de infecção/inflamação após vômitos é altamente sugestiva.

Contexto Educacional

A ruptura esofágica aguda, também conhecida como Síndrome de Boerhaave, é uma emergência médica rara, mas com alta morbimortalidade se não diagnosticada e tratada precocemente. Caracteriza-se por uma perfuração transmural do esôfago, geralmente precipitada por um aumento súbito da pressão intraluminal, como ocorre em vômitos intensos, tosse ou esforço. A incidência é baixa, mas o reconhecimento rápido é crucial para o prognóstico. A fisiopatologia envolve o aumento da pressão intraluminal contra um esfíncter esofágico superior fechado, levando à ruptura, mais comumente na parede posterolateral do esôfago distal. O conteúdo gástrico e esofágico extravasa para o mediastino, causando mediastinite química e bacteriana, que pode evoluir para sepse. O diagnóstico é suspeitado pela história clínica (vômitos seguidos de dor retroesternal intensa, disfagia, hematêmese, sinais de choque) e confirmado por exames de imagem como radiografia de tórax (pneumomediastino, derrame pleural) e tomografia computadorizada com contraste oral. O tratamento da ruptura esofágica é uma emergência cirúrgica na maioria dos casos, visando o fechamento da perfuração, drenagem do mediastino e controle da sepse. O manejo inicial inclui estabilização hemodinâmica, antibioticoterapia de amplo espectro e inibidores da bomba de prótons. O prognóstico depende diretamente do tempo entre a ruptura e o início do tratamento, sendo pior em atrasos superiores a 24 horas.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos da ruptura esofágica aguda?

A tríade de Mackler (vômitos, dor torácica e enfisema subcutâneo) é clássica, mas nem sempre completa. Dor retroesternal intensa, taquicardia, taquipneia, febre e sudorese após vômitos são achados comuns que devem levantar a suspeita.

Qual é a principal causa da Síndrome de Boerhaave?

A causa mais comum é o aumento súbito da pressão intraluminal do esôfago, geralmente devido a vômitos intensos, tosse ou esforço. Isso leva a uma perfuração transmural, mais frequentemente na parede posterolateral do esôfago distal.

Como diferenciar a ruptura esofágica de outras causas de dor torácica?

A história de vômitos precedendo a dor torácica intensa é um forte indício. Exames de imagem como radiografia de tórax (pneumomediastino, derrame pleural) e tomografia computadorizada com contraste oral são cruciais para confirmar o diagnóstico e diferenciar de condições como IAM ou dissecção aórtica.

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