Ruptura Diafragmática Traumática: Diagnóstico e Manejo

HEVV - Hospital Evangélico de Vila Velha (ES) — Prova 2015

Enunciado

Após um acidente automobilístico, um passageiro que não usava cinto de segurança é trazido para a sala de emergência. Está acordado e alerta e seus sinais vitais mostram-se estáveis. Ao exame físico nota-se discreta hipersensibilidade abdominal, sem sinais de irritação peritoneal. A radiografia de tórax, feita após a introdução de sonda nasogástrica, revela que a ponta desta está angulada acima do hemidiafragma esquerdo. O próximo passo diagnóstico nesse paciente deve ser:

Alternativas

  1. A) lavagem peritoneal diagnóstica.
  2. B) tomografia computadorizada do abdome.
  3. C) toracotomia esquerda.
  4. D) laparotomia exploradora.
  5. E) broncoscopia.

Pérola Clínica

SNG no tórax após trauma abdominal/torácico = ruptura diafragmática → laparotomia exploradora para reparo.

Resumo-Chave

A presença da ponta da sonda nasogástrica angulada acima do hemidiafragma esquerdo em um paciente vítima de trauma é um sinal patognomônico de ruptura diafragmática traumática, com herniação de vísceras abdominais para o tórax. Nesses casos, a conduta imediata é a laparotomia exploradora para reparo da lesão e redução das vísceras.

Contexto Educacional

A ruptura diafragmática traumática é uma lesão grave, mas muitas vezes subdiagnosticada, que ocorre em cerca de 0,8% a 5% dos traumas abdominais fechados e torácicos penetrantes. Geralmente resulta de forças de cisalhamento e compressão súbitas, como em acidentes automobilísticos, levando a um aumento abrupto da pressão intra-abdominal que rompe o diafragma. O lado esquerdo é mais frequentemente afetado devido à proteção do fígado à direita. O diagnóstico pode ser desafiador, pois os sintomas iniciais podem ser mascarados por outras lesões mais evidentes. No entanto, a presença de achados radiológicos específicos é crucial. O sinal patognomônico da sonda nasogástrica (SNG) angulada acima do hemidiafragma esquerdo, indicando sua passagem para o tórax, é uma evidência clara de ruptura diafragmática com herniação gástrica. Diante de um sinal tão inequívoco de ruptura diafragmática com herniação de vísceras, a conduta mais adequada e imediata é a laparotomia exploradora. Este procedimento permite a redução das vísceras herniadas, avaliação de outras lesões intra-abdominais e o reparo primário da lesão diafragmática, prevenindo complicações graves como estrangulamento visceral e insuficiência respiratória. Outros exames de imagem, como a TC, podem ser úteis em casos duvidosos, mas não devem atrasar a intervenção em situações claras.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais radiológicos de ruptura diafragmática traumática?

Sinais incluem elevação do hemidiafragma, borramento do contorno diafragmático, presença de vísceras abdominais no tórax (estômago, intestino) e o sinal patognomônico da sonda nasogástrica no tórax.

Por que a laparotomia exploradora é a conduta imediata neste caso?

A presença da sonda nasogástrica no tórax confirma a ruptura diafragmática com herniação de vísceras. Isso é uma emergência cirúrgica que requer laparotomia para reduzir as vísceras herniadas, avaliar lesões associadas e reparar o diafragma, prevenindo complicações graves.

Quais são as complicações de uma ruptura diafragmática não tratada?

As complicações incluem estrangulamento e necrose das vísceras herniadas, insuficiência respiratória devido à compressão pulmonar e choque séptico, todas com alta morbidade e mortalidade.

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