Ruptura de Cisto de Corpo-Lúteo: Diagnóstico e Manejo

PSU PRMMT - Processo Seletivo Unificado de Residência Médica do MT — Prova 2025

Enunciado

Paciente de 17 anos, nuligesta, dá entrada no pronto atendimento com queixa de dor aguda, inicialmente localizada na pelve e que posteriormente se irradiou para o abdome, de intensidade crescente, acompanhada de tonturas. Nega atividade sexual, relata ciclos regulares com intervalo de 28 dias, com DUM há 18 dias. Ao exame físico: dor importante à palpação abdominal, especialmente em fossa ilíaca esquerda, com diminuição dos ruídos hidroaéreos. Exames complementares: bHCG negativo, hemograma com hematócrito diminuído, sem leucocitose. No USG de abdome, sinais compatíveis com hemoperitônio. Qual o diagnóstico?

Alternativas

  1. A) Torção ovariana
  2. B) Apendicite supurada
  3. C) Migração de cálculo renal
  4. D) Ruptura de cisto do corpo-lúteo

Pérola Clínica

Nuligesta, dor pélvica aguda, hemoperitônio, bHCG negativo → Ruptura cisto corpo-lúteo.

Resumo-Chave

A ruptura de cisto de corpo-lúteo é uma causa comum de dor pélvica aguda e hemoperitônio em mulheres em idade fértil, mesmo nuligestas e sem atividade sexual. A presença de bHCG negativo e hematócrito diminuído, com USG mostrando líquido livre, aponta para sangramento intra-abdominal.

Contexto Educacional

A ruptura de cisto de corpo-lúteo é uma causa frequente de dor pélvica aguda em mulheres em idade reprodutiva, incluindo adolescentes, e deve ser sempre considerada no diagnóstico diferencial. O corpo-lúteo é uma estrutura fisiológica que se forma após a ovulação e pode se tornar cístico e, ocasionalmente, hemorrágico, com risco de ruptura e sangramento para a cavidade peritoneal. A fisiopatologia envolve o sangramento de vasos sanguíneos na parede do cisto do corpo-lúteo, que pode se romper e extravasar sangue para o peritônio, causando dor e, em casos mais graves, hemoperitônio e instabilidade hemodinâmica. O diagnóstico é baseado na história clínica (dor aguda, geralmente na segunda fase do ciclo menstrual), exame físico (dor à palpação abdominal, sinais de irritação peritoneal) e exames complementares. O bHCG negativo é fundamental para excluir gravidez ectópica. A ultrassonografia pélvica é o exame de imagem de escolha, demonstrando o cisto e o líquido livre. O tratamento da ruptura de cisto de corpo-lúteo é predominantemente conservador para pacientes hemodinamicamente estáveis, com repouso, analgesia e observação. A maioria dos sangramentos é autolimitada. A intervenção cirúrgica (geralmente laparoscópica) é reservada para pacientes com instabilidade hemodinâmica, sangramento ativo persistente ou grande volume de hemoperitônio que não se resolve espontaneamente. O prognóstico é geralmente excelente.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas típicos da ruptura de cisto de corpo-lúteo?

Os sintomas incluem dor pélvica aguda, geralmente unilateral, que pode irradiar para o abdome, tontura, náuseas e, em casos de sangramento significativo, sinais de hipovolemia como taquicardia e hipotensão.

Como a ultrassonografia auxilia no diagnóstico da ruptura de cisto de corpo-lúteo?

A ultrassonografia pélvica é crucial, mostrando a presença de um cisto ovariano (corpo-lúteo) e, mais importante, líquido livre na cavidade abdominal (hemoperitônio), que pode ser quantificado.

Qual o tratamento para a ruptura de cisto de corpo-lúteo?

O tratamento é geralmente conservador para casos estáveis, com repouso e analgesia. Em casos de sangramento ativo, instabilidade hemodinâmica ou grande hemoperitônio, pode ser necessária intervenção cirúrgica (laparoscopia ou laparotomia) para controlar o sangramento.

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