CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2013
Qual a complicação apresentada na figura e qual a conduta imediata?
Ruptura de cápsula posterior → Estabilizar com viscoelástico antes de retirar a caneta de faco.
A conduta imediata na ruptura de cápsula posterior exige a manutenção da pressão na câmara anterior com viscoelástico para evitar o colapso ocular e o prolapso vítreo antes de qualquer manipulação adicional.
A ruptura da cápsula posterior é uma das complicações intraoperatórias mais temidas na cirurgia de catarata por facoemulsificação. O reconhecimento precoce e a mudança imediata na estratégia cirúrgica são cruciais para o prognóstico visual do paciente. A manutenção da estabilidade da câmara anterior é o princípio fundamental: a flutuação de pressão causada pela retirada inadvertida da peça de mão pode transformar uma pequena ruptura em uma perda vítrea massiva. O manejo adequado envolve a limpeza do vítreo do segmento anterior (vitrectomia anterior mecânica) e a remoção segura do material cristaliniano residual. A escolha da lente intraocular (LIO) também muda, dependendo do suporte capsular remanescente, podendo-se optar por implante no sulco ciliar ou, em casos de perda total de suporte, lentes de fixação escleral ou de câmara anterior.
O primeiro passo é manter a caneta de facoemulsificação em posição (mantendo a infusão) e preencher a câmara anterior com viscoelástico dispersivo através da incisão lateral. Isso estabiliza a pressão intraocular e impede que o vítreo prolapse para a câmara anterior quando a caneta for finalmente retirada. Somente após a estabilização com viscoelástico deve-se proceder com a vitrectomia anterior e a remoção cuidadosa das massas remanescentes.
A aspiração 'a seco' (ou com baixa infusão) é realizada após a vitrectomia anterior para remover restos corticais sem criar correntes de fluido que possam tracionar o vítreo ou ampliar a ruptura capsular. Utiliza-se viscoelástico para manter o espaço e cânulas manuais ou o próprio vitreógrafo em modo de aspiração, garantindo que não haja vítreo encarcerado nos restos de cristalino antes de aspirá-los.
A vitrectomia anterior é obrigatória sempre que houver prolapso de humor vítreo para a câmara anterior ou através da ruptura da cápsula posterior. O objetivo é remover o vítreo da vizinhança da incisão e da área pupilar, evitando complicações pós-operatórias graves como edema macular cistoide, descolamento de retina e corectopia (pupila em gota).
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